Em 04 de julho próximo, o asteroide Fides estará com seu posicionamento favorável às observações (fase da Lua = -0,857), quando então sua magnitude chegará a 11.37 (CAMPOS, 2025), sendo necessário o uso de instrumentos óticos de médio porte para sua observação. Localizado na constelação de Sagitário (Sgr), o objeto apresentará as coordenadas equatoriais (J2000.0) Ascensão Reta 18h 54m 39.13s e Declinação -27° 29' 03.2". Nesta efeméride, a elongação solar atingirá 175,3°.
Como demonstra seu número em ordem de nomeação indicado acima entre parênteses, 37 Fides foi descoberto em 5 de outubro de 1855 pelo astrônomo alemão Karl Theodor Robert Luther (1822 - 1900) no Observatório de Düsseldorf. Seu nome é uma homenagem à deusa romana da lealdade e da confiança (MOURÃO, 1987). Trata-se de um asteroide rochoso do tipo S (silicatado), com albedo de 0,1826 e diâmetro de aproximadamente 108,35 km. A análise fotométrica determina o seu período de rotação em 7,3335 horas.
Registro Observacional
No ciclo observacional precedente, correspondente à noite de 16 de abril de 2025, o asteroide (37) Fides foi registrado pelo observador Geovandro Nobre. Na ocasião da captura, o objeto encontrava-se transitando pela constelação de Virgem, apresentando as coordenadas equatoriais de Ascensão Reta 13h 24m 45s e Declinação -02° 36' 18".
Figura. 1 - (37) Fides em 2025 - Crédito: Geovandro Nobre - OARU - Manaus-AM, Brasil
O corpo menor ostentava uma magnitude visual calibrada de 10.42, posicionado a uma distância geocêntrica de 1.488 au e heliocêntrica de 2.378 au. Esse registro fixou um ponto de controle fotométrico fundamental para o refinamento dos parâmetros de refletividade e inclinação do plano orbital do objeto.
**Perspectivas Futuras**
Para esta oposição, o sistema orbital projeta o instante central da oposição de (37) Fides. O asteroide cruzará o meridiano local posicionado na constelação de Sagitário (Sgr), nas coordenadas (J2000.0): Ascensão Reta de 18h 54m 39.13s e Declinação de -27° 29' 03.2". Em comparação com o registro de 2025, o objeto apresentar-se-á ligeiramente mais tênue, com magnitude calculada de 11.37, decorrente de uma variação na distância geométrica interplanetária. A elongação solar na oposição máxima atingirá 175.3°, oferecendo uma janela de visibilidade contínua durante toda a noite astronômica.
Estratégia de Observação
A magnitude de 11.37 exige o emprego estratégico de refletores com abertura igual ou superior a 150 mm ou refratores apocromáticos acima de 100 mm acoplados a sensores CCD/CMOS. Devido à declinação acentuadamente austral (-27°), observadores localizados no hemisfério sul usufruirão de uma culminação próxima ao zenite, reduzindo drasticamente os efeitos da massa de ar atmosférica. Recomenda-se a realização de séries de subexposições curtas (entre 30 e 60 segundos) para evitar o "trail" (rastro) do movimento próprio do asteroide contra as estrelas de fundo, viabilizando tanto a extração astrométrica fina quanto a construção de curvas de luz fotométricas padronizadas.
Otimizando Observações Astronômicas
As oposições favoráveis, com elongações acima de 165 graus, proporcionam oportunidades únicas para observações precisas e a criação de Curvas de Luz confiáveis. Observações devem seguir critérios técnicos rigorosos, utilizando estrelas de magnitude visual conhecidas. Em condições ideais, afastados da luz solar direta, asteroides revelam características intrínsecas como tamanho aparente, cor e tonalidade, especialmente com aberturas óticas maiores. A máxima elongação facilita a coleta eficaz de dados noturnos, beneficiando pesquisas astronômicas. Planejamento estratégico durante oposições favoráveis é crucial para explorar oportunidades e compreender a dinâmica do cinturão principal de asteroides.
Boas observações e céus limpos!
Notas:
1 = (ua)* Conforme a Resolução da IAU 2012 B2, acolhendo proposta do grupo de trabalho “Numerical Standards for Fundamental Astronomy”, redefiniu-se a unidade astronômica de comprimento correspondendo à distância media da Terra ao Sol equivalendo assim a 149.597.870.700 metros, devendo ser representada unicamente por au (“astronomical unit”) (OAM, 2015).
2 = As coordenadas equatoriais ascensão reta e declinação (J2000.0) são apresentadas no formato HH:MM:SS (hora/grau, minuto e segundo).
3 = A fase lunar acima mencionada assume os seguintes valores: 0.000% = Nova; +0.500% = Quarto crescente; 1.000% = Cheia e -0.500% = Quarto minguante.
4 = Instrumentação recomendada e Limite de Portabilidade:
Pequena abertura: 70–120 mm
Média abertura: 120–180 mm
Maior abertura: 180–250 mm
Referências:
MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1987, 914P.
CAMPOS, Antônio Rosa. Almanaque Astronômico Brasileiro 2026. Belo Horizonte: CEAMIG, 2025. Disponível em: https://is.gd/Alma2026. Acesso em: 04 Jun. 2026.
OAM (IAG-USP) - Disponível em: <http://www.observatorio.iag.usp.br/index.php/mencurio/curiodefin.html> - Acesso em 18 Ago. 2015.
IAU (MPC) - Disponível em: <http://www.minorplanetcenter.net/iau/lists/NumberedMPs000001.html> - Acesso em 04 Mai. 2014.
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