Resumo
A trajetória de Alberto Santos Dumont transcende a invenção do avião, revelando um profundo engajamento com as ciências do céu e a astronomia observacional. Através de sua participação na Société Astronomique de France (SAF) e sua estreita amizade com o astrônomo Camille Flammarion, Santos Dumont integrou conhecimentos de física atmosférica e aeronavegabilidade à exploração do espaço tridimensional. Este legado é reconhecido pela União Astronômica Internacional (IAU), que nomeou uma cratera lunar em sua homenagem.
A Cratera Santos-Dumont e o Relevo Lunar
Localizada na extremidade norte da cordilheira dos Montes Apeninos, na borda leste do Mare Imbrium, a cratera Santos-Dumont (antiga Hadley B) possui 8,7 km de diâmetro. Suas coordenadas oficiais são 27.7° N e 4.8° E, situando-se a apenas 30 km do local de pouso da missão Apollo 15.
Figura 1 – Localização da cratera Santos-Dumont (centro) via LROC QuickMap. Fonte: Lunar Reconnaissance Orbiter Camera (2026).
Janela de Observação: Julho de 2026
Neste mês julho, quando que comemora o nascimento do inventor, as efemérides indicam as condições ideais para o registro selenográfico deste alvo.
1. Fases e Iluminação
Conforme a historiografia da astronomia amadora, o melhor momento para visualização ocorre no sétimo dia de lunação, durante o Quarto Crescente, quando as sombras projetadas revelam a profundidade do relevo.
• Quarto Crescente de Julho: Ocorre em 21 de julho de 2026, às 15:58 (UT).
• Apogeu Lunar: A Lua estará no apogeu em 26 de julho de 2026 (406.453 km), o que significa que, no dia 21, ela estará se afastando, apresentando um diâmetro aparente ligeiramente menor, exigindo ótica de alta resolução.
2. Libração e Visibilidade
Para observar detalhes próximos aos Montes Apeninos, a libração favorável é essencial para "inclinar" a face lunar em nossa direção.
• Libração em Latitude (b): No período de 20 a 22 de julho, os valores de libração estarão favoráveis para a observação do quadrante norte.
• Colongitude: O Sol estará nascendo sobre a região da cratera, proporcionando o contraste necessário entre as paredes internas e o fundo da formação.
Guia Prático para o Observador
1. Localização: Utilize um telescópio com aumento médio/alto e identifique o Mare Imbrium.
2. Referência: Siga a cadeia dos Montes Apeninos para o norte até a região do Mons Hadley.
3. Registro: Utilize as coordenadas da IAU/USGS para garantir precisão técnica em seus relatórios de observação.
Boas Observações e céus limpos!
Referências
CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais). Almanaque Astronômico Brasileiro 2026. Belo Horizonte: CEAMIG, dez. 2025. 1 arquivo PDF. Disponível em: https://is.gd/Alma2026. Acesso em: 02 Dez. 2025.
MOURÃO, R.R.F. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio e Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1987, 914P.
GAZETTEER of Planetary Nomenclature. Santos-Dumont. Working Group for Planetary System Nomenclature (WGPSN). International Astronomical Union (IAU) / U.S. Geological Survey (USGS). [S. l.], 2024. Disponível em: https://planetarynames.wr.usgs.gov/Feature/5315. Acesso em: 29 abr. 2026.
MUSEU DE ASTRONOMIA E CIÊNCIAS AFINS (Brasil). História da Astronomia no Brasil. Organização de Oscar T. Matsuura. Rio de Janeiro: MAST, 2014. v. 2.
TRAVNIK, Nelson Alberto Soares. Brasileiros na Lua?. Sky and Observers. [S. l.], 23 dez. 2018. Disponível em: https://sky-observers.blogspot.com/2018/12/brasileiros-na-lua.html. Acesso em: 29 abr. 2026.
NASA/GSFC/ARIZONA STATE UNIVERSITY. LROC QuickMap – Lunar Reconnaissance Orbiter Camera interactive viewer. Disponível em: <https://quickmap.lroc.im-ldi.com>. Acesso em: 28 abr. 2026.
