O asteroide (28) Bellona, um objeto de grande porte localizado na região central do cinturão principal, atingirá a sua oposição no dia 29 de maio de 2026, às 00:00 TU. Posicionado na constelação de Ofiúco (Oph), o corpo celeste apresentará as coordenadas equatoriais (J2000.0) de Ascensão Reta 16h 41m 02.02s e Declinação -08° 14' 06.3". Durante esta efeméride, alcançará uma magnitude visual de 11.40 e uma elongação solar de 165.9°. As condições para a captura exigirão alto rigor técnico: a Lua apresentará uma fase decimal de +0.948 (praticamente Cheia), com magnitude de -12.0 e elongação de 153.6°. Esta proximidade angular com um satélite intensamente iluminado resultará em um fundo de céu com forte ofuscamento (brilho de espalhamento), exigindo telescópios de maior abertura para garantir o contraste necessário à astrometria.
Aspectos Físicos, Históricos e Biográficos
A descoberta do asteroide (28) Bellona ocorreu em 1 de março de 1854, realizada pelo astrônomo alemão Karl Theodor Robert Luther. Conforme a enciclopédia biográfica de Hockey (2007), Luther foi diretor do Observatório de Düsseldorf e um prolífico caçador de asteroides no século XIX. O contexto histórico de sua descoberta influenciou diretamente a nomenclatura: o nome homenageia a deusa romana da guerra, Bellona, em referência ao início da Guerra da Crimeia ocorrida naquela mesma época, tradição etimológica bem documentada no dicionário de Mourão (1987). Fisicamente, trata-se de um objeto maciço com diâmetro médio de aproximadamente 120.9 km. É classificado como um asteroide do tipo espectral S, indicando uma composição rochosa rica em silicatos e metais ferrosos, apresentando um albedo geométrico de 0.176 e um período de rotação bem estabelecido de 15.706 horas.
Observações e Registros em Manaus-AM
A base de dados astrométrica do Observatório Astronômico Rei do Universo (OARU - Código MPC X33) contém registros altamente precisos da dinâmica de (28) Bellona. Em 6 de fevereiro de 2025 (fração 06.05546 TU), o observador Geovandro Nobre registrou o objeto (Tracklet GHN0755) apresentando magnitude 10.0 V, numa elongação solar de 82° (próximo à quadratura). Utilizando um telescópio refletor de 0.20-m (200mm) f/5.0, a captura revelou um movimento angular particularmente lento de 0.0672 segundos de arco por minuto ("/min) com um ângulo de posição (PA) de 301.2° (noroeste). A técnica de captura adotou um empilhamento de 5 frames de 30 segundos (2,5 minutos totais), alcançando uma escala de placa de 1.91 "/px. Este método comprovou-se ideal, resultando na fixação pontual do asteroide enquanto as estrelas de calibração exibiam rastros mínimos no campo de 6.1 x 6.1 arcmin.
Estratégia de Observação
Devido à conjunção de um brilho moderado (magnitude 11.40) com a poluição luminosa severa de uma Lua na fase +0.948, recomenda-se categoricamente a utilização de telescópios de Maior Abertura (180–250 mm). Para mitigar o gradiente lunar no sensor CCD/CMOS, o observador precisará aplicar rotinas rigorosas de subtração de fundo (background extraction) e captação de flat frames. Como o movimento aparente do asteroide é tipicamente lento, é possível manter exposições unitárias curtas (30 a 60 segundos) e abusar do tempo total de integração (empilhar dezenas de frames) para elevar a relação sinal-ruído. Alternativamente, as melhores janelas astrométricas podem ocorrer alguns dias após 29 de maio, à medida que a Lua minguar e se afastar da região de Ofiúco.
Perspectivas Futuras
O asteroide (28) Bellona orbita o Sol com um semieixo maior de 2.778 au e uma excentricidade moderada (0.148), completando uma revolução sideral a cada 4.63 anos. O seu período sinódico calculado é de aproximadamente 466 dias (1.27 anos terrestres). Projetando esta periodicidade a partir da oposição de 29 de maio de 2026, a próxima janela de aproximação ideal ocorrerá na primeira quinzena de setembro de 2027. Recomenda-se o acompanhamento contínuo da sua fotometria como realizado pela Estação X33 para verificar a consistência da amplitude de sua curva de luz (0.06 mag), o que reforça o seu modelo de forma esférica.
Notas:
1 — Conforme definido pela Resolução da Assembleia Geral da UAI (B2, 2015), adota-se a unidade astronômica (au) para representar a distância média Terra-Sol.
2 — As coordenadas equatoriais (J2000.0) são apresentadas no formato HH:MM:SS e GG° MM' SS".
3 — A fase lunar assume a escala decimal com os valores: 0.000 = Nova; +0.500 = Quarto Crescente; 1.000 = Cheia e -0.500 = Quarto Minguante. A fase +0.948 representa uma iluminação crítica para astrofotografia profunda.
4 — Instrumentação recomendada: Maior abertura (180–250 mm), mandatório para compensar a magnitude -12.0 da Lua.
Referências:
CAMPOS, Antônio Rosa. Almanaque Astronômico Brasileiro 2026. Belo Horizonte: CEAMIG, 2025. Disponível em: <https://is.gd/Alma2026>. Acesso em: 02 Dez. 2025.
HOCKEY, Thomas et al. (Eds.). The Biographical Encyclopedia of Astronomers. New York: Springer, 2007.
MACHADO, Rubens E. G. Astronomia de Posição. Curitiba: UTFPR, 2023.
MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1987.
NOBRE, G. Registro Astrométrico de (28) Bellona. Observatório Astronômico Rei do Universo (OARU). 05 fev. 2025.
PILCHER, Frederick. Rotation Period Determinations for 28 Bellona, 81 Terpsichore, 126 Velleda, 210 Isabella, 213 Lilaea, and 478 Tergeste. Minor Planet Bulletin, v. 38, n. 4, p. 188-189, 2011.
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