O asteroide (92) Undina em 2026

Antônio Rosa Campos 

O asteroide (92) Undina, corpo celeste localizado na região externa do cinturão principal, atingirá a sua oposição no dia 17 de maio de 2026, às 00:00 TU. Posicionado na constelação de Libra (Lib), o objeto apresentará as coordenadas equatoriais (J2000.0) de Ascensão Reta 15h 41m 56.74s e Declinação -08° 58' 14.6". Durante esta efeméride, alcançará uma magnitude visual de 11.30 e uma elongação solar de 169.5°. As condições de contraste de fundo de céu serão ideais para a observação, uma vez que a Lua apresentará uma fase decimal de +0.002 (praticamente Nova), com uma elongação extremamente baixa (5.5°) e magnitude atenuada (-4.5), o que garante a ausência de interferência luminosa na direção antissolar do asteroide.

Aspectos Físicos, Históricos e Biográficos

A descoberta do asteroide (92) Undina foi concretizada em 7 de julho de 1867 pelo astrônomo alemão-americano Christian Heinrich Friedrich Peters (1813–1890). Conforme os perfis biográficos compilados por Hockey (2007), Peters foi um observador meticuloso e prolífico, descobrindo quase meia centena de asteroides a partir do Observatório Litchfield, vinculado ao Hamilton College em Nova York. A etimologia de "Undina" remete à mitologia e literatura europeias, designando as ondinas, ninfas elementais das águas (MOURÃO, 1987).

Do ponto de vista físico, trata-se de um objeto de grande porte (diâmetro estimado superior a 120 km) classificado como tipo espectral Xc, sugerindo uma composição metálica rica em ferro e níquel, embora com um albedo geométrico elevado (~0.25) para a sua classe. Possui um período de rotação de aproximadamente 15.94 horas, validado por campanhas fotométricas.

Observações e Registros em Manaus-AM

O acompanhamento dinâmico deste corpo celeste encontra respaldo robusto nos dados astrométricos obtidos por Geovandro Nobre na Estação X33 (Observatório Astronômico Rei do Universo - OARU). Em 7 de março de 2025 (fração 07.06335 TU), o asteroide (92) Undina foi rastreado (Submissão GHN0797) apresentando uma magnitude visual de 11.7 V. O telescópio utilizado foi um refletor de 0.20-m (200mm) f/5.0. Na ocasião, o objeto revelou um movimento aparente lento de 0.0342 segundos de arco por minuto ("/min) e um ângulo de posição (PA) de 69.6°. O método de captura baseou-se num empilhamento de 5 frames de 30 segundos (totalizando 2,5 minutos de exposição), o que resultou numa escala de pixel de 1.91 "/px. Esta configuração técnica foi perfeitamente dimensionada para congelar o leve movimento do asteroide, mantendo a precisão das estrelas de calibração no campo (FOV de 6.1 x 6.1 arcmin).

Figura 1 - (92) Undina em 2025 - Crédito: Geovandro Nobre - OARU, Manaus-AM, Brasil

Estratégia de Observação

Diante da magnitude de 11.30 prevista para a oposição de 17 de maio de 2026 e da excelente condição de céu escuro proporcionada pela Lua Nova (+0.002), o asteroide (92) Undina configura-se como um alvo plenamente acessível para telescópios de Média Abertura (120–180 mm). Tendo em vista o movimento angular extremamente lento documentado historicamente em 2025 (apenas ~0.034 "/min), o astrometrista pode empregar a mesma técnica validada pela Estação X33: exposições de 30 a 60 segundos por frame com empilhamento. Esse movimento lento reduz substancialmente o risco de arrastamento ("trail") do asteroide no sensor, facilitando medições posicionais de alta precisão.

Perspectivas Futuras

O asteroide (92) Undina orbita na região "Externa" do cinturão principal, orbitando a um semieixo maior de 3.188 au e completando o seu período sideral a cada 5.69 anos terrestres. A sua dinâmica orbital resulta num período sinódico aproximado de 442 dias e 15 horas (1.211 anos). Projetando este ciclo a partir da efeméride de 17 de maio de 2026, a próxima janela de oposição ocorrerá no início de agosto de 2027. Recomenda-se a continuidade do seu monitoramento a como a realizada pela  Estação X33 e a inserção do objeto em campanhas fotométricas para o refinamento do seu modelo de forma 3D e eixo de rotação, parâmetros ainda classificados com margem de incerteza na literatura científica recente.

Notas:

1 — Conforme definido pela Resolução da Assembleia Geral da UAI (B2, 2015), adota-se a unidade astronômica (au) para representar a distância média Terra-Sol.

2 — As coordenadas equatoriais (J2000.0) são apresentadas no formato HH:MM:SS (Ascensão Reta) e GG° MM' SS" (Declinação).

3 — A fase lunar assume a escala decimal com os valores: 0.000 = Nova; +0.500 = Quarto Crescente; 1.000 = Cheia e -0.500 = Quarto Minguante.

4 — Instrumentação recomendada (Limite de Portabilidade): Média abertura (120–180 mm), perfeitamente adequada para a magnitude 11.30 em céus escuros.

Referências:

CAMPOS, Antônio Rosa. Almanaque Astronômico Brasileiro 2026. Belo Horizonte: CEAMIG, 2025. Disponível em: <https://is.gd/Alma2026>. Acesso em:  02 Dez. 2025.

HOCKEY, Thomas et al. (Eds.). The Biographical Encyclopedia of Astronomers. New York: Springer, 2007.

MACHADO, Rubens E. G. Astronomia de Posição. Curitiba: UTFPR, 2023.

MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1987.

NOBRE, G. Registro Astrométrico de (92) Undina. Observatório Astronômico Rei do Universo (OARU). 06 jun. 2025.

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