O asteroide (69) Hesperia, corpo celeste do cinturão principal, atingirá a sua oposição no dia 12 de abril de 2026, às 00:00 TU. Localizado na constelação de Virgem (Vir), apresentará as coordenadas equatoriais (J2000.0) de Ascensão Reta 13h 28m 32.71s e Declinação -05° 03' 24.0", alcançando uma magnitude visual de 11.06 e uma elongação solar de 176.0°. A fase lunar decimal estará em -0.327 (caminhando para o Quarto Minguante), com magnitude -9.3 e elongação de 69.7°. Apesar da presença lunar, a magnitude bastante favorável de (69) Hesperia permite a utilização de instrumentos de média abertura (120–180 mm) para o seu rastreamento, configurando um alvo excelente, especialmente devido à sua notável velocidade aparente no céu, facilitando a perceção do seu deslocamento em relação ao fundo estelar.
Aspectos Históricos e Biográficos
A descoberta de (69) Hesperia foi concretizada em 29 de abril de 1861 pelo astrónomo italiano Giovanni Virginio Schiaparelli. Conforme detalhado por Hockey (2007), Schiaparelli teve uma carreira ilustre, destacando-se de forma proeminente no Observatório de Brera, em Milão. Embora seja mundialmente recordado pelos seus extensos estudos do planeta Marte e das chuvas de meteoros, a identificação deste asteroide assinala uma das suas importantes contribuições para a astronomia planetária do século XIX. O termo "Hesperia", segundo o registo do dicionário enciclopédico de Mourão (1987), é a antiga denominação grega para a península itálica (significando a "terra ocidental"), prestando assim uma homenagem direta à pátria do seu descobridor.
Observações e Registos em Manaus-AM
As capturas astrométricas conduzidas pelo observador Geovandro Nobre no Observatório Astronómico Rei do Universo (OARU), em Manaus, fornecem dados cruciais sobre a dinâmica deste objeto. Em 20 de dezembro de 2024, utilizando um telescópio refletor de 0.20-m (200mm) f/5.0, a estação registou (69) Hesperia com um movimento aparente significativamente rápido, atingindo a velocidade de 0.442 segundos de arco por minuto ("/min) e um ângulo de posição (PA) de 267.6°.
A estratégia de captura metodicamente adotada — um empilhamento de 5 frames de 30 segundos cada (totalizando 2,5 minutos de exposição) — provou-se altamente eficaz. Este método congela o rápido movimento do asteroide no sensor, garantindo a precisão posicional e mantendo o perfil pontual das estrelas de referência, evitando o efeito indesejado de rasto ("star trails").
Notas:
1 — Conforme definido pela Resolução da Assembleia Geral da UAI (B2, 2015), adota-se a unidade astronómica (au) para representar a distância média Terra-Sol.
2 — As coordenadas equatoriais (J2000.0) são apresentadas no formato HH:MM:SS (Ascensão Reta) e GG° MM' SS" (Declinação).
3 — A fase lunar assume a escala decimal com os valores: 0.000 = Nova; +0.500 = Quarto crescente; 1.000 = Cheia e -0.500 = Quarto minguante.
4 — Instrumentação recomendada (Limite de Portabilidade): Média abertura (120–180 mm), adequada para a resolução da magnitude visual de 11.06 do objeto.
Referências:
CAMPOS, Antônio Rosa. Almanaque Astronómico Brasileiro 2026. Belo Horizonte: CEAMIG, 2025. Disponível em: <https://is.gd/Alma2026>. Acesso em: 10 mar. 2026.
HOCKEY, Thomas et al. (Eds.). The Biographical Encyclopedia of Astronomers. New York: Springer, 2007.
MACHADO, Rubens E. G. Astronomia de Posição. Curitiba: UTFPR, 2023.
MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1987.
NOBRE, G. Registro Astrométrico de (69) Hesperia. Observatório Astronômico Rei do Universo (OARU). 20 dez. 2024.
OAM - OBSERVATÓRIO ASTRONÔMICO DO CAPRICÓRNIO / IAG-USP. Definições. São Paulo: IAG-USP, <s.d.>. Disponível em: <http://www.observatorio.iag.usp.br/index.php/mencurio/curiodefin.html>. Acesso em: 18 ago. 2015.
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