O asteroide (11) Parthenope, corpo do cinturão principal com diâmetro aproximado de 153 km, estará em oposição no dia 26 de fevereiro de 2026, por volta de 00:00 TU, posicionado na constelação de Leão (Leo), com coordenadas equatoriais AR = 10h 41m 05.12s e Declinação = +12° 28′ 45.0″ (J2000.0).
Nesta ocasião, apresentará magnitude visual 9,99 e elongação solar de 176,1478°, caracterizando uma oposição bastante favorável para observação visual e registro fotográfico.
Durante o período da oposição, a Lua estará com fase +0,668, com magnitude visual −10,8, elongação = 109,5° e ângulo de fase = 70,4°. Esse cenário implica interferência lunar moderada para observações de campo amplo, mas não inviabiliza a detecção e o registro do asteroide, especialmente com técnicas de empilhamento (stacking) e seleção cuidadosa do horário de observação.
Por atingir magnitude inferior a 10, o asteroide poderá ser observado com pequenos instrumentos óticos, incluindo telescópios de pequena e média abertura (70–180 mm), de acordo com os critérios de Magnitude Limite de um Telescópio (MALE) estabelecidos no Almanaque Astronômico Brasileiro 2026.
Um registro observacional de (11) Parthenope foi obtido em 17 de novembro de 2024, no Observatório Astronômico Rei do Universo (OARU), em Manaus–AM, pelo astrônomo amador Geovandro Nobre. Na ocasião, o asteroide apresentava magnitude visual V ≈ 10,6, deslocando-se com velocidade aparente de 0,338″/min sob ângulo de posição PA = 258,7°, configuração compatível com movimento retrógrado aparente em fase pós-oposição. O registro foi obtido com um telescópio refletor de 0,20 m f/5,0, com escala de 1,91″/pixel, campo útil de 6,1′ × 6,1′ e integração total de 7,5 minutos (15 × 30 s), parâmetros que favorecem precisão astrométrica e qualidade fotométrica em campanhas amadoras de acompanhamento sistemático.
(11) Parthenope em novembro 2024 - OARU - Geovandro Nobre
Como demonstra seu número em ordem de nomeação indicado acima entre parênteses, (11) Parthenope foi descoberto em 11 de maio de 1850 pelo astrônomo italiano Annibale De Gasparis (1819–1892) no Observatório de Nápoles (MOURÃO, 1987).
Annibale de Gasparis teve seu nome imortalizado na superfície lunar, quando uma cratera de impacto de 30 km de diâmetro e 1,08 km de profundidade, localizada nas coordenadas selenográficas LAT: 25° 54′ 00″S e LON: 050° 42′ 00″W, foi nomeada oficialmente em 1935 como DE GASPARIS pelo Working Group for Planetary System Nomenclature (WGPSN), da International Astronomical Union (IAU). Também o sistema de canais de origem tectônica, conhecido como Rimae De Gasparis (93 km de comprimento; coordenadas selenográficas LAT: 24° 36′ 00″ e LON: 051° 06′ 00″) foi nomeado pela IAU em 1964, em sua homenagem.
Diretor do Osservatorio Astronomico di Capodimonte (IAU Code 044), em Nápoles, de 1864 até 1889, em 1851 foi agraciado com a Medalha de Ouro da Royal Astronomical Society, sendo ainda laureado com o Prêmio Lalande, em 1851 e 1852. O asteroide (4279) De Gasparis, pertencente ao cinturão principal e descoberto em 1982 pelo Osservatorio San Vittore (IAU Code 552), de Bolonha, foi nominado em sua homenagem.
O Observatório Lunar Vaz Tolentino fotografou a cratera DE GASPARIS, a Rimae De Gasparis e sua região, com apenas 1 frame, em 10 de junho de 2014 às 00:09:34 UT. Essa imagem poderá ser vista em: http://vaztolentino.com/conteudo/824-Cratera-DE-GASPARIS
1 = (ua)* Conforme a Resolução da IAU 2012 B2, acolhendo proposta do grupo de trabalho “Numerical Standards for Fundamental Astronomy”, redefiniu-se a unidade astronômica de comprimento correspondendo à distância média da Terra ao Sol equivalendo assim a 149.597.870.700 metros, devendo ser representada unicamente por au (“astronomical unit”) (OAM, 2015).
2 = As coordenadas equatoriais ascensão reta e declinação (J2000.0) são apresentadas no formato HH:MM:SS (hora/grau, minuto e segundo).
3 = A fase lunar acima mencionada assume os seguintes valores: 0.000 = Nova; +0.500 = Quarto crescente; 1.000 = Cheia e −0.500 = Quarto minguante.
4 = Instrumentação recomendada e limite de portabilidade:
• Pequena abertura: 70–120 mm
• Média abertura: 120–180 mm
• Maior abertura: 180–250 mm
CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais). Almanaque Astronômico Brasileiro 2026. Belo Horizonte: CEAMIG, dez. 2025. 1 arquivo PDF. Disponível em: https://is.gd/Alma2026. Acesso em: 02 dez. 2025.
MOURÃO, R. R. F. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1987. 914 p.
SCHMADEL, L. D. Dicionário de nomes planeta menor. 6. ed. Alemanha: Springer, 2003. p. 15. ISBN 978-3-540-00238-3.
TOLENTINO, R. J. Vaz. Cratera DE GASPARIS. Vaz Tolentino Observatório Lunar, jun. 2014. Disponível em: http://vaztolentino.com/conteudo/824-Cratera-DE-GASPARIS. Acesso em: 13 nov. 2017.
OAM (IAG-USP). Definição de Unidade Astronômica (ua). 2015. Disponível em: http://www.observatorio.iag.usp.br/index.php/mencurio/curiodefin.html. Acesso em: 18 ago. 2015.
IAU (MPC). Numbered Minor Planets. Disponível em: http://www.minorplanetcenter.net/iau/lists/NumberedMPs000001.html. Acesso em: 04 mai. 2014.
Nobre, G. Registro do asteroide (11) Parthenope – 17 Nov. 2024 (X33 – OARU). Comunicação pessoal ao autor, novembro de 2024..
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