O asteroide (7) Iris, um dos mais brilhantes corpos do cinturão principal, estará em oposição no dia 28 de fevereiro de 2026, por volta de 00:00 TU, quando se encontrará na constelação de Sextante (Sex). Nessa data, suas coordenadas equatoriais geocêntricas (J2000.0) serão Ascensão Reta = 10h 27m 51.18s e Declinação = −00° 01′ 34.5″.
Na ocasião da oposição, (7) Iris atingirá magnitude visual 8,82, com elongação solar de 171,0156°, caracterizando uma oposição favorável para observação visual e registro fotográfico.
Durante o período da oposição, a Lua estará com fase +0,858, com magnitude visual −11,6, elongação = 135,7° e ângulo de fase = 44,2°. Essa configuração implica interferência lunar moderada a elevada, sobretudo em observações de campo amplo. Ainda assim, o evento é plenamente aproveitável com planejamento do horário, escolha de alvos de comparação e, no caso de imageamento, uso de empilhamento (stacking).
Por atingir magnitude visual inferior a 9, o asteroide (7) Iris será facilmente observável com pequenos instrumentos óticos, incluindo telescópios de pequena abertura (70–120 mm), e permitirá registros fotográficos de alta qualidade com instrumentação portátil, conforme os critérios de Magnitude Limite de um Telescópio (MALE) adotados no Almanaque Astronômico Brasileiro 2026.
Um registro observacional do asteroide (7) Iris foi obtido em 06 de agosto de 2024 às 02:38:38 UTC (23:38:38 do dia 05 de agosto no Horário Legal de Brasília), no Observatório Astronômico Rei do Universo (OARU), em Manaus–AM, pelo astrônomo amador Geovandro Nobre. A observação ocorreu cerca de 21 horas antes da oposição daquele ano (07 de agosto de 2024 às 00:00 TU), caracterizando uma fase pré-oposição, ainda sob geometria bastante favorável.
(7) Iris em agosto 2024 - OARU - Geovandro Nobre
Na ocasião, o asteroide apresentava magnitude visual V ≈ 9,3, deslocando-se com velocidade aparente de 0,719″/min sob ângulo de posição PA = 255,7°, valores compatíveis com o movimento retrógrado aparente observado nas proximidades da oposição. O indicador “Sol: 167°” exibido no gráfico reforça a condição de alta elongação solar, coerente com o curto intervalo que antecedia a oposição.
O registro foi realizado com um telescópio refletor de 0,20 m f/5,0, utilizando escala de 1,91″/pixel, campo útil de 6,1′ × 6,1′ e integração total de 2,0 minutos (4 × 30 s). Durante esse intervalo, o deslocamento total estimado do asteroide foi de aproximadamente 1,44″, inferior a um pixel, assegurando imagem pontual adequada para medições astrométricas e análise fotométrica. A leitura de sinal no ponto central (≈ 65.422 ADU) indica excelente relação sinal–ruído, confirmando a qualidade do registro.
Como demonstra seu número em ordem de nomeação indicado acima entre parênteses, (7) Iris foi descoberto em 13 de agosto de 1847 pelo astrônomo inglês John Russell Hind (1823–1895) no Observatório de Londres (MOURÃO, 1987). Seu nome homenageia Íris (ou Íride), filha de Taumas e Electra, e mensageira de Juno, em particular, e dos deuses, cuja aparição era anunciada pelo arco-íris.
John Russell Hind teve seu nome imortalizado na superfície lunar, quando uma cratera de 29 km de diâmetro e 3 km de profundidade, localizada nas coordenadas selenográficas LAT: 07° 54′ 00″S e LON: 007° 24′ 00″E, foi nomeada oficialmente em 1935 como HIND, pelo Working Group for Planetary System Nomenclature (WGPSN), da International Astronomical Union (IAU). Hind também descobriu e observou estrelas variáveis, além de descobrir Nova Ophiuchi 1848 (V841 Ophiuchi), a primeira nova dos tempos modernos (desde a supernova SN 1604).
Esse relevo foi registrado fotograficamente em duas oportunidades pela equipe do Vaz Tolentino Observatório Lunar (VTOL), em 24 de agosto de 2012 e 01 de maio de 2013. A composição de ambas imagens poderá ser visualizada em: http://www.vaztolentino.com/imagens/7587-Cratera-HIND
1 = (ua)* Conforme a Resolução da IAU 2012 B2, acolhendo proposta do grupo de trabalho “Numerical Standards for Fundamental Astronomy”, redefiniu-se a unidade astronômica de comprimento correspondendo à distância média da Terra ao Sol equivalendo assim a 149.597.870.700 metros, devendo ser representada unicamente por au (“astronomical unit”) (OAM, 2015).
2 = As coordenadas equatoriais ascensão reta e declinação (J2000.0) são apresentadas no formato HH:MM:SS (hora/grau, minuto e segundo).
3 = A fase lunar acima mencionada assume os seguintes valores: 0.000 = Nova; +0.500 = Quarto Crescente; 1.000 = Cheia e −0.500 = Quarto Minguante.
4 = Instrumentação recomendada e limite de portabilidade:
• Pequena abertura: 70–120 mm
• Média abertura: 120–180 mm
• Maior abertura: 180–250 mm
CEAMIG (CENTRO DE ESTUDOS ASTRONÔMICOS DE MINAS GERAIS). Almanaque Astronômico Brasileiro 2026. Belo Horizonte: CEAMIG, dez. 2025. 1 arquivo PDF. Disponível em: https://is.gd/Alma2026. Acesso em: 02 dez. 2025.
MOURÃO, R. R. F. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1987. 914 p.
OAM (IAG-USP). Definição de Unidade Astronômica (ua). 2015. Disponível em: http://www.observatorio.iag.usp.br/index.php/mencurio/curiodefin.html. Acesso em: 18 ago. 2015.
IAU (MPC). Numbered Minor Planets. Disponível em: http://www.minorplanetcenter.net/iau/lists/NumberedMPs000001.html. Acesso em: 04 mai. 2014.
TOLENTINO, Ricardo J. Vaz (VTOL). Cratera HIND. Disponível em: http://www.vaztolentino.com/imagens/7587-Cratera-HIND. Acesso em: 13 nov. 2017.
NOBRE, G. Registro do asteroide (7) Iris – 06 ago. 2024 (X33 – OARU). Comunicação pessoal ao autor, out. 2024.
