O asteroide (67) Asia em 2026

 Antônio Rosa Campos

O asteroide (67) Asia, integrante do cinturão principal, atinge a oposição em 20 de fevereiro de 2026, por volta de 00:00 TU, quando estará localizado na constelação de Sextante (Sex). Nesta configuração geométrica, o objeto encontra-se praticamente alinhado com a Terra e o Sol, apresentando elongação solar de 172,7°, o que garante condições favoráveis de iluminação e observação.

(67) Asia — ilustração artística. Imagem gerada por Meta IA em 05 out. 2025.

Na data da oposição, (67) Asia apresentará coordenadas equatoriais (J2000.0) AR = 10h 00m 01.68s e Declinação = +04° 29′ 58.1″, com magnitude visual V ≈ 12,17. Esse brilho o coloca além do alcance de instrumentos pequenos, exigindo telescópios de médio porte (≥ 200 mm) para observação visual consistente, enquanto registros fotográficos podem ser realizados com aberturas ligeiramente menores, desde que sob céus escuros e com integração adequada.

A oposição de 2026 não se destaca pelo brilho extremo, mas apresenta estabilidade geométrica e previsibilidade orbital, características valiosas para fins didáticos, acompanhamento astrométrico e registro sistemático do movimento retrógrado aparente típico dos asteroides nessa fase. A taxa de deslocamento angular moderada facilita a identificação do objeto por comparação sequencial de imagens.

Do ponto de vista lunar, a observação ocorre sob fase lunar +0,073, muito próxima da Lua Nova, com a Lua apresentando magnitude visual −6,9 e elongação relativamente pequena (≈ 31°). Isso significa interferência lunar mínima, oferecendo uma janela observacional bastante limpa, especialmente nas horas próximas à culminação do asteroide.

Em síntese, a oposição de (67) Asia em 2026 configura-se como um evento tecnicamente favorável, embora discreto, ideal para observadores que desejam praticar identificação de asteroides de magnitude intermediária, refinar técnicas de astrometria e consolidar séries observacionais consistentes dentro do contexto do cinturão principal.

Como demonstra seu número em ordem de nomeação indicado acima entre parênteses, (67) Asia foi descoberto em 17 de abril de 1861 pelo astrônomo inglês Norman R. Pogson (1829–1891), no Observatório de Madrasta. Seu nome é homenagem do descobridor a Ásia, esposa de Japeto, mãe de Atlas e Prometeu. Nome lembrado porque foi na Ásia que Pogson fez a sua primeira descoberta astronômica (MOURÃO, 1987).

Norman Robert Pogson (1829–1891) foi um astrônomo inglês, conhecido pela descoberta de 8 asteroides: (42) Isis (1856); (43) Ariadne e (46) Hestia (1857); (67) Asia (1861); (80) Sappho (1864); (87) Sylvia (1866); (107) Camilla (1868) e (245) Vera (1885) (ALMEIDA, 2011). Sua principal contribuição foi a recomendação de um valor padrão para a constante fotométrica, padronizando o sistema de magnitude grega de brilho estelar (SNEDEGAR, 2007). A relação de Pogson, também conhecida como fórmula (m2 – m1) = 2,5 log (F1/F2), ou lei de Pogson, nos dá uma relação genérica entre magnitudes e fluxos de duas estrelas quaisquer (NAPOLEÃO, 2018).

Notas

1 = (ua)* Conforme a Resolução da IAU 2012 B2, acolhendo proposta do grupo de trabalho “Numerical Standards for Fundamental Astronomy”, redefiniu-se a unidade astronômica de comprimento correspondendo à distância média da Terra ao Sol equivalendo assim a 149.597.870.700 metros, devendo ser representada unicamente por au (“astronomical unit”) (OAM, 2015).

2 = As coordenadas equatoriais ascensão reta e declinação (J2000.0) são apresentadas no formato HH:MM:SS (hora/grau, minuto e segundo).

3 = A fase lunar acima mencionada assume os seguintes valores: 0.000 = Nova; +0.500 = Quarto crescente; 1.000 = Cheia e −0.500 = Quarto minguante.

4 = Instrumentação recomendada e limite de portabilidade:
  • Pequena abertura: 70–120 mm
  • Média abertura: 120–180 mm
  • Maior abertura: 180–250 mm

Referências

CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais). Almanaque Astronômico Brasileiro 2026. Belo Horizonte: CEAMIG, dez. 2025. 1 arquivo PDF. Disponível em: https://is.gd/Alma2026. Acesso em: 02 dez. 2025.

MOURÃO, R. R. F. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1987. 914 p.

ALMEIDA, Guilherme. Gazeta de Física. Sociedade Portuguesa de Física, v. 34, n. 3/4, 2011. Disponível em: https://www.spf.pt/magazines/GFIS/108/article/827/pdf. Acesso em: 26 jul. 2023.

SNEDEGAR, K. Pogson, Norman Robert. In: HOCKEY, T. et al. The Biographical Encyclopedia of Astronomers. New York: Springer, 2007. Disponível em: https://doi.org/10.1007/978-0-387-30400-7_1107. Acesso em: 26 jul. 2023.

NAPOLEÃO, Tasso A. Astrofísica estelar para o Ensino Médio. Cap. 5. IAG, abr. 2018. Disponível em: http://www.astro.iag.usp.br/~guia/Astrofisica-Estelar-para-o-Ensino-Medio-Capitulo-5.pdf. Acesso em: 26 jul. 2023.

OAM (IAG-USP). Definição de Unidade Astronômica (ua). 2015. Disponível em: http://www.observatorio.iag.usp.br/index.php/mencurio/curiodefin.html. Acesso em: 18 ago. 2015.

IAU (MPC). Numbered Minor Planets. Disponível em: http://www.minorplanetcenter.net/iau/lists/NumberedMPs000001.html. Acesso em: 04 mai. 2014.

```
Postagem Anterior Próxima Postagem