domingo, 1 de agosto de 2021

30 Anos sem Jean Nicolini

Nelson Alberto Soares Travnik

Laureado pela Sociedade Astronômica da França, SAF, com o prêmio “George Bidault d’ Isle”; perpetuado no Observatório Municipal de Campinas com seu nome, na rodovia Americana – Nova Odessa e no Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica de Ronaldo R. de Freitas Mourão, Jean Nicolini nasceu em São Paulo, capital, no dia 09/04/1922 e faleceu no dia 23/07/1991 por volta das 13:30, quando seu Volkswagen colidiu violentamente na mureta de concreto de um viaduto na cidade de Americana/SP, para onde se dirigia para cumprir atividade no Observatório Municipal dessa cidade. Estava vindo de um congresso na cidade de Montevideo, Uruguai.  Jean juntamente com Nelson Travnik e Guilherme Grassmann haviam fundado o Observatório em 04/08/1985. Foi um duro golpe pois, apesar dos seus 69 anos, gozava de excelente saúde e disposição, ainda apto a desenvolver relevantes serviços em ambos os observatórios onde trabalhava.

Jean era filho de Noel Nicolini e Jeanne Cabrit Nicolini, ambos de origem francesa o que vem explicar sua identidade com esse país. Sua devoção a ciência do céu aconteceu com a leitura dos livros de Camille Flammarion (1842-1925), o “Poeta do Céu”, o “Mestre de Juvisy”. Jean está sepultado no cemitério de Sousas, sub-distrito de Campinas. 

UMA VIDA DEDICADA A ASTRONOMIA

Jean era leitor voraz de história antiga, arqueologia, dos grandes clássicos e amante da música erudita principalmente do ciclo barroco. Astronomia era, contudo, a razão de sua existência, o Sol que banhava sua fronte. Em 15/10/1948 com 26 anos fundava o seu Observatório do Capricórnio em São Paulo, capital, Vila Olímpia, nome escolhido por São Paulo (lat. – 23º 54’) estar próxima a latitude do Trópico da Capricórnio (-23º 27’). Mais tarde ele seria transferido para Atibaia e por fim incorporado por convênio ao Observatório Municipal de Campinas inaugurado em 15/01/1977). Jean era membro ativo das SAF, ALPO, BAA, AAVSO e colaborou com o Observatório de Meudon, França, na determinação do período de rotação do planeta Vênus. Participou do “International Mars Comitte” em 1954 para elaboração do mapa meteorológico de Marte e de 1961 a 1991 era “Standard Observer” da AAVSO. Foi observador credenciado da NASA-JPL-SMITSONIAN INSTITUTION no projeto LION para observação de TLP’s durante as missões Apollo 8 a Apollo 13. 

UM GRANDE INCENTIVADOR

Jean foi co-fundador da Associação dos Astrônomos Amadores de São Paulo, AAASP, (1949), da Sociedade Interplanetária Brasileira, SIB, (1952), da Sociedade Brasileira de Selenografia, SBS, (1956) e da União Brasileira de Astronomia, UBA, (1976). Entre seus maiores colaboradores destacavam-se Rubens de Azevedo, Rômulo Argentiére e Frederico Funari. Nunca deixava de responder uma carta que recebia de todo País, despertando inúmeras vocações. Uma das mais profícuas atenções foi a que dispensou ao jovem Rogério Marcom, mais tarde físico da Unicamp e fundador do seu Observatório Solar Bernard Lyot que ainda é referência nacional em heliofísica. Jean escreveu dois livros: “Marte, o Planeta do Mistério” e “Manual do Astrônomo Amador”, este último ainda uma referência para os astrônomos amadores. Jean desempenhou inúmeros cargos em associações de astronomia do Brasil e exterior. Era casado com Áurea Nicolini, esposa devotada e fiel colaboradora. Teve dois filhos: Ulisses (já falecido) e Leonardo.

Graças ao Jean, o qual desde 1956 mantinha intenso intercâmbio de observações e com o endosso do prefeito da Campinas, Dr. Lauro P. Gonçalves, amador de astronomia, fui convidado a vir para Campinas compor a equipe do Observatório Municipal na ocasião, o primeiro desse gênero no Brasil e que desde 1991 recebe o nome de Observatório Municipal de Campinas Jean Nicolini. De 1985 a 1996 exerci a direção do mesmo, ano do qual requeri minha aposentadoria, continuando a trabalhar no Observatório Municipal de Americana desde sua fundação em 04/08/1985, até quando do incêndio em 08/10/2014 e a partir de 02/10/1992 também no Observatório Astronômico de Piracicaba Elias Salum, no qual permaneço até a presente data.


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