O asteroide (3) Juno, um dos principais corpos pertencentes à região interna do cinturão principal, estará em oposição no dia 27 de julho de 2026, às 00:00 TU. Localizado na constelação de Aquila (Aql), o objeto apresentará as coordenadas equatoriais (J2000.0) Ascensão Reta 20h 08m 43.30s e Declinação -05° 00' 10.4".
Nesta efeméride, (3) Juno alcançará a excelente magnitude visual de 9.20 e uma elongação solar de 165,2°. A Lua estará com fase de +0,937, apresentando magnitude de -12.0 e elongação de 150,8°. Embora a alta iluminação lunar próxima ao plenilúnio espalhe brilho pelo céu, a magnitude favorável (9.20) deste asteroide o torna um alvo astrométrico bastante acessível.
Descoberto em 1 de setembro de 1804 pelo astrônomo alemão Karl Ludwig Harding, (3) Juno é um asteroide do tipo S (silicatado). Ele orbita o Sol a uma distância média de 2.67 au. O corpo rochoso possui um diâmetro estimado em cerca de 246,6 km, um albedo geométrico de 0,238 e completa uma rotação rápida sobre o próprio eixo em 7,21 horas. Seu período sideral é de 4,36 anos e o período sinódico que rege suas oposições é de aproximadamente 474 dias (CAMPOS, 2025).
Registro Observacional
No ciclo observacional precedente, abrangendo a noite de 22 para 23 de maio de 2025, às 02:10:43 TU (registrado na fração de dia 23.09078 de maio em Tempo Universal), o asteroide (3) Juno foi capturado pelo observador Geovandro Nobre (Estação X33). Na ocasião, o corpo menor apresentava as coordenadas equatoriais de Ascensão Reta 15h 35m 17.29s e Declinação -02° 01' 30.2".
Figura. 1 - (3) Juno em 2026 - Crédito: Geovandro Nobre - OARU - Manaus-AM, Brasil.
A astrometria indicou uma magnitude visual calibrada de 10.5 na banda V, com o objeto posicionado a uma elongação solar de 162°. A captura foi realizada por meio de um telescópio refletor de 0.20-m f/5.0, utilizando um tempo de integração total de 2,5 minutos (5 exposições de 30 segundos), o que permitiu registrar o movimento aparente do alvo de 0.329"/min sob um ângulo de posição (PA) de 299.3°.
Perspectivas Futuras e Estratégia de Observação
A oposição de julho de 2026 oferece uma ótima oportunidade para o acompanhamento sistemático deste objeto. Com a magnitude de 9.20, recomenda-se o uso de mapas celestes detalhados da região de Aquila (Aql). Telescópios de pequena abertura (70–120 mm) já são capazes de identificá-lo com segurança. O desafio tático principal será mitigar a interferência da Lua quase cheia, o que exigirá boas práticas na proteção contra luz difusa no campo de visão.
Boas observações e céus limpos!
Notas:
1 = (au) Conforme a Resolução da IAU 2012 B2, acolhendo proposta do grupo de trabalho “Numerical Standards for Fundamental Astronomy”, redefiniu-se a unidade astronômica de comprimento correspondendo à distância média da Terra ao Sol equivalendo assim a 149.597.870.700 metros, devendo ser representada unicamente por au (“astronomical unit”) (OAM, 2015).
2 = As coordenadas equatoriais ascensão reta e declinação (J2000.0) são apresentadas no formato HH:MM:SS (hora/grau, minuto e segundo).
3 = A fase lunar acima mencionada assume os seguintes valores: 0.000% = Nova; +0.500% = Quarto crescente; 1.000% = Cheia e -0.500% = Quarto minguante.
4 = Instrumentação recomendada e Limite de Portabilidade:
Pequena abertura: 70–120 mm
Média abertura: 120–180 mm
Maior abertura: 180–250 mm
Referências:
CAMPOS, Antônio Rosa. Almanaque Astronômico Brasileiro 2026. Belo Horizonte: CEAMIG, 2025. Disponível em: https://is.gd/Alma2026. Acesso em: 04 Jun. 2026.
HOCKEY, Thomas et al. (Eds.). The Biographical Encyclopedia of Astronomers. New York: Springer, 2007.
MINOR PLANET CENTER. (3) Juno Orbit/Observations Database. Disponível em: https://www.minorplanetcenter.net/db_search. Acesso em 04 Jun. 2026
MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. 2. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1987.
NASA/JPL. Horizons System Ephemeris Service. Caltech/Jet Propulsion Laboratory.
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