A Chuva de Meteoros Pegasídeos de Julho (175 JPE) em 2026

Antônio Rosa Campos 

As Pegasídeos de Julho (175 JPE) estarão ativas entre 1 e 20 de julho de 2026, com máximo indicado para o dia 10 de julho. Os parâmetros do máximo ocorrem no instante em que o Sol atinge λ ⊙ = 108°. O radiante situa-se em AR = 347° e Dec = +11°, posicionado na região da constelação de Pégaso.

Concepção Artistica: Pegasídeos - Gemini 3 IA: Nano Banana 2. Prompt Antônio Rosa Campos em 09/06/2026.

A velocidade meteórica pré-atmosférica é V∞ = 63 km/s, o que classifica a chuva como de meteoros rápidos. Para fins de comparação didática, adotamos uma escala usada em materiais de observação e divulgação do Sky and Observers: 11 km/s (muito lenta), ~40 km/s (referência próxima à média das chuvas) e 72 km/s (muito rápida).

O índice populacional é r = 3,0 e a THZ é usualmente baixa, fixando-se em 3.

Trata-se de uma chuva essencialmente do hemisfério norte, cujos meteoros têm sido observados e registrados em monitoramentos contínuos. Dados recentes de meteoros obtidos por sistemas de vídeo sugerem que o período de atividade do evento pode se estender consideravelmente além do fechamento tradicional, avançando possivelmente até o fim de julho ou início de agosto.

Em 2026, a Lua atingirá o Quarto Minguante em 7 de julho. Durante a data do máximo em 10 de julho, a iluminação lunar estará em franco declínio (aproximadamente 27%), a caminho da fase Nova. Assim, a maior parte da atividade desta chuva poderá ser observada sem perturbações significativas causadas pelo brilho lunar no céu.

Magnitude limite, poluição luminosa e Escala Bortle

Como o índice r = 3,0 indica uma predominância de meteoros mais fracos, a observação requer condições muito favoráveis de escuridão. A recomendação prática e objetiva é priorizar localidades distantes de qualquer poluição luminosa, preferencialmente enquadradas nas Classes 1 a 3 da Escala Bortle (céu excepcionalmente escuro a rural), garantindo uma magnitude limite visual superior a 6,6. Sob um céu de subúrbio brilhante ou urbano (Classes 5 a 9), a contagem visual tende a ser virtualmente nula, uma vez que a THZ basal do evento já é naturalmente restrita.

Condições de visibilidade no Brasil e na América do Sul

Com uma declinação do radiante em +11°, a chuva favorece também os observadores austrais. No Brasil e no restante da América do Sul, a constelação de Pégaso e o radiante atingem elevações favoráveis no céu a partir da meia-noite local, proporcionando as melhores taxas de observação durante a madrugada até as horas que antecedem o alvorecer.

Condições de visibilidade nas Américas Central e do Norte

Para observadores localizados na América Central e na América do Norte, as condições geométricas são ideais. O radiante atinge grandes elevações no céu durante o período noturno e fica acima do horizonte durante a noite inteira em latitudes médias do hemisfério norte, assegurando máxima exposição do observador.

Considerações práticas

• Quando observar: o foco deve estar na noite do máximo em 10 de julho e madrugadas adjacentes, preferencialmente na segunda metade da noite.

• Onde observar: escolha um lugar seguro, com céu rural ou mais escuro e horizonte amplo (Escala Bortle 1 a 3, sem luzes diretas ofuscando a visão).

• Preparação: evite o uso de telas luminosas, aguardando cerca de 20 minutos para a adaptação e dilatação natural das pupilas.

• Registro simples: anote as horas de início e fim da vigília, o percentual de céu nublado e qual foi a estrela mais fraca que pôde ser vista a olho nu para atestar a magnitude limite local.

Notas:

Radiante: região do céu de onde os meteoros parecem sair.

THZ: taxa horária zenital — um valor de referência para céu muito escuro e radiante bem alto; na vida real, costuma ser menor.

Magnitude limite: a estrela mais fraca que você consegue ver a olho nu; quanto maior esse valor, mais escuro está o céu.

Escala Bortle: escala prática que descreve o quanto o céu noturno é escuro (Bortle 1 = excelente; Bortle 9 = centro urbano muito iluminado).

Classificação didática de velocidades: faixa 11–72 km/s com ~40 km/s como referência média, adotada como critério pedagógico para contextualizar a V∞ informada.

Fonte Oficial: Dados astronômicos e parâmetros de visibilidade extraídos do '2026 Meteor Shower Calendar', publicado pela International Meteor Organization (IMO).

Referências:

RENDTEL, Jürgen. (Ed.). 2026 Meteor Shower Calendar. International Meteor Organization (IMO). Arquivo: IMO_2026.pdf. Acesso em: 15 mar. 2026.

Efemérides Físicas da Lua 2026. Arquivo: Efemérides Físicas da Lua 2026.txt. Acesso em: 15 mar. 2026.

CAMPOS, Antônio Rosa (org.). Almanaque Astronômico Brasileiro 2026. Edição Clássica, ano 23. Belo Horizonte: CEAMIG, 2026. Disponível em: https://is.gd/Alma2026. Acesso em: 15 mar. 2026.

LUNSFORD, Robert. Meteor Activity Outlook for July 19-25, 2025. American Meteor Society (AMS), 18 jul. 2025. Disponível em: (https://www.amsmeteors.org/2025/07/meteor-activity-outlook-for-july-19-25-2025/. Acesso em: 15 mar. 2026.

BROGOWSKI, Todd. July Pegasid Meteor Shower: A Celestial Whisper. Mountainair Dispatch, 9 jul. 2025. Disponível em: https://www.mountainairdispatch.com/july-pegasid-20250709/. Acesso em: 15 mar. 2026.

STAR WALK. Estrelas cadentes em junho–setembro de 2026: próximas chuvas de meteoros. Star Walk Space, 2025. Disponível em: https://starwalk.space/pt/news/meteor-showers-june-september. Acesso em: 15 mar. 2026.

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