A Chuva de Meteoros η-Eridanídeos (191 ERI) em 2026

Antônio Rosa Campos 

A chuva de meteoros η-Eridanídeos (191 ERI) estará ativa entre os dias 31 de julho e 19 de agosto de 2026. O período de máximo está previsto para o dia 7 de agosto.

Este pico ocorre no instante em que o Sol atinge a longitude λ⊙ = 135°.

O radiante situa-se em Ascensão Reta = 41° e Declinação = -11°, localizado na região da constelação de Eridano.

Concepção Artistica: η-Eridanídeos - Gemini 3 IA: Nano Banana 2. Prompt Antônio Rosa Campos em 21/06/2026.

A velocidade meteórica pré-atmosférica (V∞) desta chuva é de 64 km/s.

Na nossa escala didática de comparação — que varia de 11 km/s (muito lenta) a 72 km/s (muito rápida), tendo 40 km/s como referência média —, a 191 ERI classifica-se claramente como uma chuva de meteoros rápidos.

O evento apresenta uma Taxa Horária Zenital (THZ) extremamente baixa, estimada em cerca de 3 meteoros por hora.

Magnitude limite, poluição luminosa e Escala Bortle

Na noite do máximo, a 7 de agosto, a Lua apresentará uma fase de 0,399 (cerca de 40% iluminada). Esta configuração atua como uma fonte moderada de poluição luminosa natural. Como a 191 ERI possui uma THZ diminuta (3) e meteoros muito rápidos (64 km/s), os meteoros mais fracos serão rapidamente ofuscados pelo brilho residual do céu, diminuindo a magnitude limite visual. Consequentemente, para ter qualquer hipótese de detetar os meteoros desta corrente, é estritamente necessário procurar locais isolados que se enquadrem nas Classes 1 a 3 da Escala Bortle (céu rural a excecionalmente escuro).

Condições de visibilidade no Brasil e na América do Sul

Com uma declinação de -11°, o radiante das η-Eridanídeos ganha excelente elevação no céu noturno para os observadores no Brasil e em toda a América do Sul. A constelação de Eridano eleva-se progressivamente ao longo da madrugada, o que garante um posicionamento geométrico altamente favorável às nossas latitudes nas horas que antecedem o amanhecer, maximizando as chances de captação.

Condições de visibilidade nas Américas Central e do Norte

Nas regiões da América Central e no sul da América do Norte, a chuva também desfruta de condições de visibilidade aceitáveis, com o radiante a atingir alturas satisfatórias no horizonte sul durante a madrugada. Contudo, à medida que a latitude do observador sobe em direção ao extremo norte, a elevação máxima do radiante diminui progressivamente. Esta geometria mais rasante degrada a janela observacional e reduz ainda mais a visibilidade da já escassa taxa de meteoros.

Considerações práticas

Quando observar: A melhor janela de observação ocorre durante a madrugada, preferencialmente nas horas que antecedem o crepúsculo matutino, quando o radiante se encontra mais alto no céu.

Onde observar: Afaste-se totalmente de centros urbanos e procure céus escuros (Escala Bortle 1 a 3). Oculte a Lua (em fase 0,399) atrás de obstáculos físicos (edifícios, árvores ou montanhas) para proteger a sua visão adaptada à escuridão.

Registo instrumental: Devido à THZ baixíssima de apenas 3 meteoros por hora, a observação puramente visual exige vasta paciência. O uso contínuo de estações de vídeo-observação poderá ser significativamente mais eficaz para documentar o evento do que o registo a olho nu.

Notas:

Radiante: região do céu de onde os meteoros parecem sair.

THZ: taxa horária zenital — um valor de referência para céu muito escuro e radiante bem alto; na vida real, costuma ser menor.

Magnitude limite: a estrela mais fraca que consegue ver a olho nu; quanto maior esse valor, mais escuro está o céu.

Escala Bortle: escala prática que descreve a escuridão do céu noturno (Bortle 1 = excelente; Bortle 9 = centro urbano muito iluminado).

Classificação didática de velocidades: faixa 11–72 km/s com ~40 km/s como referência média, para contextualizar a V∞.

*Fonte Oficial: Dados astronómicos e parâmetros de visibilidade extraídos do '2026 Meteor Shower Calendar', publicado pela International Meteor Organization (IMO).*

Boas observações e céus limpos!

Referências:

RENDTEL, Jürgen. (Ed.). 2026 Meteor Shower Calendar. International Meteor Organization (IMO). Arquivo: IMO_2026.pdf. Acesso em: 21 jun. 2026. Disponível em: https://www.imo.net/files/meteor-shower/cal2026.pdf

CAMPOS, Antônio Rosa (org.). Almanaque Astronômico Brasileiro 2026. Edição Clássica, ano 23. Belo Horizonte: CEAMIG, 2026. Disponível em: https://is.gd/Alma2026. Acesso em: 21 jun. 2026.

LUNSFORD, Robert. Meteor Shower Calendar 2026-2027. American Meteor Society (AMS), 24 jan. 2025. Disponível em: https://www.amsmeteors.org/meteor-showers/meteor-shower-calendar/. Acesso em: 21 jun. 2026.

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