A Chuva de Meteoros η-Lirídeas (145 ELY) em 2026

Antônio Rosa Campos

As η-Lirídeas (145 ELY) estarão ativas entre 03 e 14 de maio de 2026, com máximo previsto para 11 de maio. Nesse dia, o Sol atinge λʘ = 50°.0. O radiante (região do céu de onde os meteoros parecem sair) situa-se em AR = 291° e Dec = +43°, na região de Lira.[1]

A velocidade meteórica pré-atmosférica é V∞ = 43 km/s, o que coloca esta chuva perto do valor de referência “médio” (~40 km/s).[1] Para comparação didática: 11 km/s (muito lenta), ~40 km/s (referência média) e 72 km/s (muito rápida).[1] A THZ é baixa (≈ 3), indicando uma chuva fraca.[1]


Figura 1 — Em uma chuva de meteoros, os riscos de luz parecem “sair” do mesmo ponto do céu (radiante). Ilustração — não é previsão. Gerado por Google Gemini (2025).

Fase da Lua e impacto prático

No Almanaque Astronômico Brasileiro de 2026, a fase lunar é dada por um número: 0.000 = Lua Nova; +0.500 = Lua Crescente; 1.000 = Lua Cheia; −0.500 = Lua Minguante. Valores positivos indicam que a Lua está “crescendo”; valores negativos indicam que ela já passou da Cheia e caminha para a Lua Nova.[1]

Para 11/05/2026, o AAB indica fase = −0.388, isto é, Lua Minguante.[1] Na prática, isso pode reduzir a quantidade de meteoros vistos, porque o céu fica mais claro — e esta chuva já é fraca (THZ ≈ 3).

Magnitude limite, poluição luminosa e Escala Bortle (orientação prática)

Para aproximar sua observação do cenário de referência da THZ, o ideal é um céu bem escuro. Em locais com muita iluminação (céu urbano), as estrelas mais fracas “somem” e os meteoros discretos também ficam difíceis.[2]

Recomendação prática: priorize locais com pouca poluição luminosa (Escala Bortle 1 a 4). Em Bortle 6 a 9, a contagem pode ser muito baixa (ou zero) em sessões curtas.

Condições de visibilidade no Brasil

Com declinação do radiante em +43°, esta chuva favorece mais o Hemisfério Norte. No Brasil, o radiante tende a ficar baixo, especialmente nas latitudes do Centro-Sul. Isso reduz a taxa observada. Na prática:

Norte e parte do Nordeste: melhores chances, sobretudo na madrugada, com horizonte norte livre.

Centro-Oeste, Sudeste e Sul: visibilidade difícil; o radiante permanece baixo e a taxa pode ser muito pequena.

Condições de visibilidade nas Américas

Na América do Norte, o radiante fica mais alto no céu, aumentando as chances. Na América Central e no norte da América do Sul, a visibilidade é intermediária. No sul da América do Sul (latitudes mais austrais), a baixa altura limita a detecção contínua.

Considerações práticas (para público iniciante)

• Quando observar: dê preferência ao fim da madrugada, quando o radiante atinge sua maior altura no seu local.

• Onde observar: escolha um lugar seguro, escuro e com horizonte norte desobstruído.

• Preparação: evite luzes diretas e espere ~20 minutos para seus olhos se adaptarem ao escuro.

• Registro simples: anote hora de início/fim, céu limpo/nublado e a estrela mais fraca que você conseguiu ver a olho nu (isso ajuda a comparar resultados entre cidades e regiões).[2]

Corpo parental

Em base dedicada (IAU MDC), há proposta de corpo parental associada às η-Lirídeas: o cometa C/1983 H1 (IRAS–Araki–Alcock). Como se trata de associação proposta, vale acompanhar atualizações futuras.[3]

Notas:

1) THZ (Taxa Horária Zenital): número de meteoros que um observador poderia ver em 1 hora (60 min) se o radiante estivesse no zênite, onde a absorção atmosférica é mínima. Na contagem, adota-se o limite padrão de magnitude 6,5.[1]

2) V∞ (km/s): velocidade meteórica pré-atmosférica (aparente). As velocidades variam de ~11 km/s (muito lenta) a 72 km/s (muito rápida). ~40 km/s é uma referência de velocidade média.[1]

3) λʘ (longitude solar): medida precisa da posição da Terra em sua órbita (J2000.0), usada para comparar máximos sem depender das incertezas do calendário.[1]

Referências:

[1] CAMPOS, Antônio Rosa. Almanaque Astronômico Brasileiro 2026. Belo Horizonte: CEAMIG, 2025. Disponível em: https://is.gd/Alma2026. Acesso em:  02 Dez. 2025.

[2] CAMPOS, Antônio Rosa; FARIA, Aléxia Lage de. Aula T06 — Magnitude limite e poluição luminosa: Escala Bortle. Material didático do curso Fundamentos de Astronomia para a Prática Observacional (GREC/CEAMIG). 2025. Documento em PDF. Acesso em: 14 jan. 2026.

[3] INTERNATIONAL ASTRONOMICAL UNION (IAU). Meteor Data Center (MDC). Shower Database: 00145 / ELY / eta-Lyrids. Disponível em: https://ceresiaumdc.ta3.sk/shower/106. Acesso em: 14 jan. 2026.

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