Cratera Menelaus — o farol de luz no Mare Serenitatis

 Antônio Rosa Campos

Na borda sudeste do Mare Serenitatis localiza-se a cratera Menelaus, uma das formações mais brilhantes e estudadas da Lua. Com cerca de 27 quilômetros de diâmetro, apresenta paredes internas em degraus, um piso elevado e picos centrais que refletem intensamente a luz solar rasante.

Formada há aproximadamente 3,2 bilhões de anos, durante o período Imbriense Superior, é uma região de alto albedo, ou seja, reflete uma grande fração da luz solar incidente — e por isso se destaca das áreas mais escuras do terreno lunar.

Durante a fase de Quarto Crescente, o Sol incide de forma oblíqua sobre essa área, projetando sombras longas que realçam as feições do relevo. É nesse momento que o terminador lunar — a linha que separa a parte iluminada da parte escura da Lua — cruza o Mare Serenitatis, proporcionando condições ideais para observação e registro.

Segundo Pasachoff e Menzel (1986), Menelaus está entre as crateras que melhor demonstram variações de brilho sob iluminação rasante.

Charles A. Wood (2004), em seu catálogo Lunar 100, incluiu o Mare Serenitatis (item L19) entre as principais regiões de observação, onde se localiza a cratera Menelaus, uma das formações bem definidas nas bordas deste referencial lunar.”

Dados para observação

Fase lunar: Quarto Crescente

Data ideal: 25 – 26 de janeiro de 2026

Horário (HLB): 19h – 22h

Coordenadas: +16,3° N / +16,0° E

Diâmetro: ≈ 27 km

Instrumento mínimo: Telescópio refletor 114 mm (f/8)

Aumentos sugeridos: 80× – 120×

Filtro recomendado: Neutro ND 0.6 — reduz o brilho e evidencia detalhes do relevo.

Durante essas noites, mesmo com um telescópio modesto e o filtro adequado, Menelaus se revela como um alvo nítido e de grande interesse, ideal para quem busca compreender as diferenças de textura e reflexão da superfície lunar.

A cratera homenageia Menelau de Alexandria (c. 70 – 130 d.C.), astrônomo e matemático grego que formulou o **Teorema de Menelau**, base da trigonometria esférica utilizada em astronomia.

Em sua obra Sphaerica, ele tratou dos triângulos sobre superfícies esféricas — um avanço fundamental para os cálculos de posição de astros e para o desenvolvimento da cartografia celeste.

Imagem LROC QuickMap

Cratera Menelaus (16° N, 16° E) — mosaico WAC LROC QuickMap sob iluminação oblíqua do Quarto Crescente. Crédito: NASA/GSFC/Arizona State University (LROC QuickMap).

Visualização personalizada, projeção ortográfica centrada em 16° N / 16° E. <https://quickmap.lroc.im-ldi.com>


Menelaus é um excelente ponto de partida para quem deseja estudar o relevo lunar.

Suas feições claras e bem definidas revelam a história das antigas colisões que moldaram a superfície da Lua — uma paisagem que, mesmo silenciosa, ainda convida à observação e ao aprendizado.

Para saber mais

Este artigo faz parte da série: Roteiro Lunar — 2026.

Um vídeo complementar sobre a cratera Menelaus estará disponível em nosso canal no YouTube (*link a ser inserido*).

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A observação contínua do relevo lunar pode levar astrônomos amadores a participar de projetos de vigilância e registro de impactos lunares.

Durante a chuva dos Taurídeos do Sul (002 STA), em 30/10/2025 e 01/11/2025 respectivamente, o astrônomo amador Daichi Fujii (Hiratsuka, Japão) registrou dois impactos meteóricos na superfície da Lua, possivelmente associados a essa chuva — conforme relatado por Space.com (04 nov 2025): <https://www.space.com/stargazing/astrophotography/astronomer-captures-2-meteors-slamming-into-the-moon-video>.

Nota editorial

O Sky and Observers é uma iniciativa independente dedicada à divulgação científica e ao incentivo à observação astronômica amadora.

As informações sobre a cratera Menelaus baseiam-se em dados oficiais do Lunar Reconnaissance Orbiter Camera (LROC) — NASA/GSFC/Arizona State University — e destinam-se exclusivamente a fins educativos e científicos.

Boas observações e céus limpos!

Referências:

PASACHOFF, J. M.; MENZEL, D. H. Guía de campo de las estrellas y los planetas. Barcelona: Omega, 1986.

WOOD, C. A. The Lunar 100Sky & Telescope, abr. 2004. Disponível em: <https://skyandtelescope.org/observing/the-lunar-100>. Acesso em: 07 nov. 2025.

USGS / IAU. Gazetteer of Planetary Nomenclature – Feature: Menelaus (Lunar Crater). Atualização 2024. Disponível em: <https://planetarynames.wr.usgs.gov/Feature/3840>. Acesso em: 07 nov. 2025.

NASA GSFC. Lunar Reconnaissance Orbiter Mission Data (LOLA DEM, 2023–2024). Disponível em: <https://lunar.gsfc.nasa.gov>. Acesso em: nov. 2025.

MOURÃO, R. R. de F. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1987.

HOCKEY, T. (ed.). The Biographical Encyclopedia of Astronomers. New York: Springer-Verlag, 2007.

ENCYCLOPEDIA BRITANNICA. Menelaus of Alexandria. Atualização 2024. Disponível em: <https://www.britannica.com/biography/Menelaus-of-Alexandria>. Acesso em: 07 nov. 2025.

NASA/GSFC/ARIZONA STATE UNIVERSITY. LROC QuickMap – Lunar Reconnaissance Orbiter Camera interactive viewer. Disponível em: <https://quickmap.lroc.im-ldi.com>. Acesso em: 07 nov. 2025.

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