A Chuva de Meteoros γ-Ursae Minorídeas (404 GUM) em 2026

Antônio Rosa Campos

As γ-Ursae Minorídeas (404 GUM) estarão ativas entre 10 e 22 de janeiro de 2026, com máximo indicado para 18 de janeiro. No Almanaque Astronômico Brasileiro 2026, os parâmetros do máximo são tabulados para 00h00m TU, o que corresponde a 21h00m na Hora Legal de Brasília (UTC−3) do dia anterior (17/01).[1] Nesse instante, o Sol atinge λ⊙ = 298°. O radiante situa-se em RA = 228° e Dec = +67°, na região de Ursa Menor.

A velocidade meteórica pré-atmosférica é V∞ = 31 km/s, o que classifica a chuva como de meteoros lentos.[1] Para fins de comparação didática, adotamos uma escala usada em materiais de observação e divulgação do Sky and Observers: 11 km/s (muito lenta), ~40 km/s (referência próxima à média das chuvas) e 72 km/s (muito rápida).[3] O índice populacional é r = 3,0 e a THZ é baixa (≈ 3).[1]


Figura 1 — Em uma chuva de meteoros, os riscos de luz parecem “sair” do mesmo ponto do céu (radiante). Ilustração — não é previsão. Fonte: (Mata AI em 22/10/2025).

Em 2026, a fase lunar ajuda de forma decisiva: a Lua Nova ocorre em 18/01, favorecendo observações com céu mais escuro durante todo o período de atividade.[2] Ainda assim, esta é uma chuva fraca e seus dados são tratados como tentativos no calendário da IMO, exigindo confirmação observacional adicional.[2] Na prática, isso significa que a melhor estratégia é somar horas de observação (mais noites e mais observadores), sempre registrando as condições do céu.

Magnitude limite, poluição luminosa e Escala Bortle (orientação prática)

Como r = 3,0 indica uma tendência a muitos meteoros mais fracos, o céu escuro é o fator que mais aumenta suas chances.[1] A recomendação prática é observar em locais com pouca poluição luminosa (Escala Bortle 1 a 4). Em céu urbano (Bortle 6 a 9), é comum que a contagem fique muito baixa, porque as luzes “apagam” as estrelas mais fracas — e, junto com elas, meteoros discretos.[3]

Condições de visibilidade no Brasil

Com declinação do radiante em +67°, esta chuva fica muito ao norte no céu. No Brasil, isso reduz a altura do radiante para quem observa em latitudes médias e austrais, o que derruba a taxa observada. 

Na prática:

Norte e parte do Nordeste: melhores chances, sobretudo na madrugada, com horizonte norte bem livre.

Centro-Oeste, Sudeste e Sul: visibilidade difícil, pois o radiante tende a permanecer muito baixo, próximo ao horizonte norte. Mesmo em céu escuro, você pode ver poucos meteoros — ou nenhum — em sessões curtas.

• Condições de visibilidade nas Américas

Nas latitudes setentrionais (América do Norte), o radiante fica alto no céu por mais tempo, aproximando a taxa observada do valor de referência. Na América Central e no norte da América do Sul, a visibilidade é intermediária. Já no sul da América do Sul (latitudes mais austrais), o radiante fica muito baixo ou pode nem aparecer, tornando a observação pouco produtiva.

Considerações práticas (para público iniciante)

Quando observar: dê preferência ao fim da madrugada, quando o radiante atinge sua maior altura no seu local.

Onde observar: procure um lugar seguro e escuro, com horizonte norte desobstruído.

Preparação: evite luzes diretas e espere ~20 minutos para seus olhos se adaptarem ao escuro.

Registro simples: anote hora de início/fim, céu limpo/nublado e qual foi a estrela mais fraca que você conseguiu ver a olho nu (isso ajuda a comparar resultados entre cidades e regiões).[3]

Notas:

Radiante: região do céu de onde os meteoros parecem sair.

• THZ: taxa horária zenital — um valor de referência para céu muito escuro e radiante bem alto; na vida real, costuma ser menor.

• Magnitude limite: a estrela mais fraca que você consegue ver a olho nu; quanto maior esse valor, mais escuro está o céu.

Escala Bortle: escala prática que descreve o quanto o céu noturno é escuro (Bortle 1 = excelente; Bortle 9 = centro urbano muito iluminado).[3]

Classificação didática de velocidades: faixa 11–72 km/s com ~40 km/s como referência média, adotada como critério pedagógico para contextualizar a V∞ informada.[3]

Referências:

[1] CAMPOS, Antônio Rosa (org.). Almanaque Astronômico Brasileiro 2026. Edição Clássica, ano 23. Belo Horizonte: CEAMIG, 2026. Disponível para download em: <https://is.gd/Alma2026> . Acesso em: 13 jan. 2026.

[2] INTERNATIONAL METEOR ORGANIZATION (IMO). IMO Meteor Shower Calendar 2026. Org. Jürgen Rendtel. Documento em PDF.. Acesso em: 13 jan. 2026.

[3] CAMPOS, Antônio Rosa; FARIA, Aléxia Lage de. Aula T06 — Magnitude limite e poluição luminosa: Escala Bortle. Material didático do curso Fundamentos de Astronomia para a Prática Observacional (GREC/CEAMIG). 2025. Documento em PDF. Acesso em: 13 jan. 2026.

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