Na noite de 12 para 13 de abril próximo, a Lua, +100% de Iluminada com uma elongação solar de 178°, ocultará a estrela Spica (Alpha Virginis), de tipo espectral B1V, com magnitude visual de 1.00. Este evento será uma excelente oportunidade para observadores munidos de pequenos instrumentos ópticos, como binóculos, lunetas e telescópios, apreciarem o fenômeno (CAMPOS, 2024). Spica é regularmente ocultada pela Lua devido à sua proximidade à eclíptica (Figura.1).
O evento poderá ser observado a partir do crepúsculo vespertino na América do Norte, atravessando a América Central e áreas do Oceano Pacífico Sul, além de se estender por toda a América do Sul, de costa a costa. Seguindo pelo Atlântico Sul, alcançará a África do Sul próximo ao crepúsculo matutino, encerrando-se sobre o Oceano Índico, entre as latitudes de -30° e -60°, bem como nas suas respectivas regiões austrais.
Os observadores localizados nas nações da América Central, (Costa Rica, El Salvador, Honduras, Nicarágua e Panamá) poderão acompanhar a fase de reaparecimento de Spica durante o crepúsculo vespertino. Em algumas localidades dessas regiões, o desaparecimento ocorrerá já com o Sol abaixo do horizonte, O evento será visível ainda em áreas próximas ao Oceano Pacífico e no mar do Caribe (Aruba, Belize, Ilhas Cayman, Jamaica, Trinidad e Tobago e Guatemala), conforme apresentado na Tabela 2
Circunstâncias Gerais de visibilidade no Brasil
Não podemos deixar de mencionar que, além das regiões do continente sul-americano, este evento também será visível em grande parte do Brasil (figura 2).
Como podemos visualizar na tabela 4 a seguir, estão apresentadas as condições de desaparecimento e reaparecimento para 22 capitais brasileiras.
Já no dia 13 de abril após a mudança internacional de data devido ao fuso de -03:00 horas, ela cortará o extremo Sul do continente africano sendo que a Lua encontrar-se-á cerca de 21° e 15° de altura na Cidade do Cabo (África do Sul) nos instantes de desaparecimento e reaparecimento de Spica já iniciando o crepúsculo matutino do dia, conforme apresentado na tabela 5.
Além das circunstâncias de gerais de visibilidade e também de desaparecimento e reaparecimento acima mencionadas, abaixo anexamos o mapa global (figura 3) com a faixa de visibilidade do fenômeno que abrange as regiões acima mencionadas e demais reservas naturais biológicas nelas inseridas.
Observar Spica pode nos revelar muitos mistérios do céu noturno. Como a estrela mais brilhante da constelação de Virgem e uma das mais notáveis vistas da Terra, com magnitude visual de aproximadamente 1.00, Spica ocupa o 16º lugar entre as estrelas mais brilhantes observadas do nosso planeta (BURNHAM, 1978). A aproximadamente 249,77 anos-luz de distância, essa estrela azul-branca é na verdade um sistema binário espectroscópico. Suas duas estrelas estão tão próximas que não podem ser separadas visualmente, mas podemos detectá-las pelo movimento das linhas espectrais, causadas pela sua rápida órbita mútua, que ocorre em apenas quatro dias (BURNHAM, 1978; SIMBAD, 2024).
A estrela principal do sistema Spica é uma gigante do tipo B1V, com temperaturas superficiais entre 10.000 e 30.000 K (IPAC, 2024). Essa estrela é cerca de 12.100 vezes mais luminosa que o Sol e possui uma massa aproximadamente 10,9 vezes a do Sol (BURNHAM, 1978). Sua companheira, uma estrela do tipo B2, é um pouco menor, com 6,8 vezes a massa solar, mas igualmente intrigante. Observar Spica também nos permite compreender os eventos das estrelas Beta Cephei, já que suas pulsações periódicas fazem o brilho de Spica oscilar, fascinando os astrônomos com essas mudanças regulares (SIMBAD, 2024; IPAC, 2024).
Ao longo dos séculos, Spica sempre despertou interesse, não só pelos astrônomos, mas também em diversas culturas antigas, sendo conhecida por nomes como Azimech e Alaraph (ARGYLE, 2012). Estar próxima da eclíptica faz com que seja ocasionalmente ocultada pela Lua e, mais raramente, pelos planetas. Esses eventos proporcionam aos astrônomos a oportunidade de realizar estudos astrométricos detalhados. Além disso, devido à precessão dos equinócios, Spica experimenta ciclos de ocultação aproximadamente a cada nove anos (ARGYLE, 2012).
Com seu caráter binário e pulsante, Spica continua a ser uma das estrelas mais estudadas no que se refere à evolução estelar e aos sistemas binários. Observar Spica é um convite para compreender melhor os processos físicos que moldam estrelas massivas e os ciclos que regem o universo (SIMBAD, 2024; BURNHAM, 1978). Seja você um astrônomo amador ou profissional, essa estrela tem muito a ensinar sobre os segredos do universo.
Importância
As ocultações de estrelas pela Lua oferecem uma oportunidade ímpar para contribuir com a ciência enquanto se explora o céu. Ao testemunhar e registrar esses momentos, os astrônomos amadores desempenham um papel crucial na coleta de dados valiosos. Seu envolvimento não apenas enriquece o conhecimento coletivo sobre as estrelas envolvidas, mas também proporciona uma jornada única e emocionante de descoberta pessoal do meio interestelar que nós encontramos. A união de esforços para observar, registrar e compartilhar esses eventos inspira a todos com a maravilha do universo.
Cada registro é uma peça importante, e sua próxima observação pode revelar novos detalhes que ainda aguardam ser compreendidos. Que tal contribuir para essa jornada científica?
Sites recomendados:
"Como observar"
http://www.rea-brasil.org/ocultacoes/observar.htm
"formulário de reporte"
http://www.rea-brasil.org/ocultacoes/1reporte_ocultacoes_lunares_v2.0c2_portugues.xls (ocultações lunares) ou
http://www.rea-brasil.org/ocultacoes/reporte_asteroides.xls
(ocultações de estrelas por asteroides).
No Facebook:
https://www.facebook.com/groups/806932362709528/
“Ocultações Astronômicas”.
Este grupo destina-se à divulgação e discussão de eventos astronômicos na área de 'Ocultações'; Ocultações de estrelas e planetas pela Lua, ocultações de estrelas por asteroides e as técnicas empregadas para o registro destes eventos (PADILLA FILHO, 2016).
Boas observações e céus limpos!!
Referências:
MOURÃO, R.R.F. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1987, 914P.
CAMPOS, A.R. Almanaque Astronômico Brasileiro 2025. Belo Horizonte: Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), 2024. 146 p. Disponível em: <https://is.gd/Alma2025> Acesso em 02 Dez 2024.
PADILLA FILHO. A. A ocultação de TYC 5667-00417-1 por 236 Honoria. Sky and Observers, jul 2016. Disponível em:< https://sky-observers.blogspot.com/2016/07/a-ocultacao-de-tyc-5667-00417-1-por-236.html >, Acesso em 22 mai. 2017.
HERALD, D. Occult4 v4.1.0.27 (24 March. 2014) Uptade v4.2.0 available in: <http://www.lunar-occultations.com/occult4/occultupdate.zip> Acesso em: 02 Nov. 2022.
ARGYLE, Robert W. Observing and Measuring Visual Double Stars. 2. ed. New York: Springer, 2012. (Patrick Moore’s Practical Astronomy Series). Capítulo 18: Lunar Occultations.
BURNHAM, Robert. Burnham’s Celestial Handbook - Vol 3. Nova York: Dover Publications, 1978.
SIMBAD, Centre de Données astronomiques de Strasbourg. alf Vir - Spica. Disponível em: https://simbad.u-strasbg.fr/simbad/sim-id?Ident=*%20alf%20Vir e <(https://simbad.u-strasbg.fr/simbad/sim-id?Ident=*%20alf%20Vir>. Acesso em: 27 de out. 2024.
IPAC, NASA/IPAC Extragalactic Database. *Alpha Virginis - Spica*. Disponível em: [https://ned.ipac.caltech.edu/cgi-bin/objsearch?objname=*%20alf%20Vir](https://ned.ipac.caltech.edu/cgi-bin/objsearch?objname=*%20alf%20Vir). Acesso em: 27 de out. 2024.