A ocultação de Spica pela Lua em 12-13/04/2025

  Antônio Rosa Campos

Na noite de 12 para 13 de abril próximo, a Lua, +100% de Iluminada com uma elongação solar de 178°, ocultará a estrela Spica (Alpha Virginis), de tipo espectral B1V, com magnitude visual de 1.00. Este evento será uma excelente oportunidade para observadores munidos de pequenos instrumentos ópticos, como binóculos, lunetas e telescópios, apreciarem o fenômeno (CAMPOS, 2024). Spica é regularmente ocultada pela Lua devido à sua proximidade à eclíptica (Figura.1). 

Figura 1. - Perfil Lunar e Localidades de Observação da Ocultação de Spica no Brasil.

O evento poderá ser observado a partir do crepúsculo vespertino na América do Norte, atravessando a América Central e áreas do Oceano Pacífico Sul, além de se estender por toda a América do Sul, de costa a costa. Seguindo pelo Atlântico Sul, alcançará a África do Sul próximo ao crepúsculo matutino, encerrando-se sobre o Oceano Índico, entre as latitudes de -30° e -60°, bem como nas suas respectivas regiões austrais.


Observadores localizados nas cidades mexicanas de Cancún e Chetumal poderão acompanhar apenas a fase de reaparecimento de Spica, que ocorrerá durante o crepúsculo vespertino. Em outras regiões daquele continente, essa fase do evento não será visível conforme apresentado na Tabela 1.

Os observadores localizados nas nações da América Central, (Costa Rica, El Salvador, Honduras, Nicarágua e Panamá) poderão acompanhar a fase de reaparecimento de Spica durante o crepúsculo vespertino. Em algumas localidades dessas regiões, o desaparecimento ocorrerá já com o Sol abaixo do horizonte, O evento será visível ainda em áreas próximas ao Oceano Pacífico e no mar do Caribe (Aruba, Belize, Ilhas Cayman, Jamaica, Trinidad e Tobago e Guatemala), conforme apresentado na Tabela 2


Os observadores localizados na América do Sul, como Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Equador, Guiana Francesa, Paraguai, Peru e Uruguai, acompanharão a ocultação de Spica, em ambas das fases. Entretanto em algumas localidades da Colômbia (visto estar próxima a costa do Pacífico) e também da Venezuela (junto ao Mar do Caribe), o evento de desparecimento ocorrerá durante o crepúsculo matutino, que também oferece condições ideais de visibilidade, conforme apresentado na Tabela 3.

Circunstâncias Gerais de visibilidade no Brasil

Não podemos deixar de mencionar que, além das regiões do continente sul-americano, este evento também será visível em grande parte do Brasil (figura 2). 

Figura 2. - Mapa Regional da Ocultação de Spica pela Lua em 13-14 de Abril de 2025 - Visibilidade nas Américas Central e do Sul.

Como podemos visualizar na tabela 4 a seguir, estão apresentadas as condições de desaparecimento e reaparecimento para 22 capitais brasileiras.


Analisando a figura 2 onde apresentamos o mapa Mapa Regional da Ocultação de Spica, em especial sobre o território Brasileiro, é extremamente importante citar que essa ocultação em ambas as fases será observável em cerca de 949 municípios listados em nosso banco de dados, cujas circunstâncias gerais de visibilidade para todas ela se encontram incluídas no Link <https://tinyurl.com/OccnSpica13ABR2025> incluindo as cidades na tabela 4 acima mencionados.

Já no dia 13 de abril após a mudança internacional de data devido ao fuso de -03:00 horas, ela cortará o extremo Sul do continente africano sendo que a Lua encontrar-se-á cerca de 21° e 15° de altura na Cidade do Cabo (África do Sul) nos instantes de desaparecimento e reaparecimento de Spica já iniciando o crepúsculo matutino do dia, conforme apresentado na tabela 5.

Além das circunstâncias de gerais de visibilidade e também de desaparecimento e reaparecimento acima mencionadas, abaixo anexamos o mapa global (figura 3) com a faixa de visibilidade do fenômeno que abrange as regiões acima mencionadas e demais reservas naturais biológicas nelas inseridas. 

Figura 3. - Mapa de Visibilidade Global da Ocultação de Spica pela Lua em 12-13/04/2025.

Spica (Alpha Virginis)

Observar Spica pode nos revelar muitos mistérios do céu noturno. Como a estrela mais brilhante da constelação de Virgem e uma das mais notáveis vistas da Terra, com magnitude visual de aproximadamente 1.00, Spica ocupa o 16º lugar entre as estrelas mais brilhantes observadas do nosso planeta (BURNHAM, 1978). A aproximadamente 249,77 anos-luz de distância, essa estrela azul-branca é na verdade um sistema binário espectroscópico. Suas duas estrelas estão tão próximas que não podem ser separadas visualmente, mas podemos detectá-las pelo movimento das linhas espectrais, causadas pela sua rápida órbita mútua, que ocorre em apenas quatro dias (BURNHAM, 1978; SIMBAD, 2024).

A estrela principal do sistema Spica é uma gigante do tipo B1V, com temperaturas superficiais entre 10.000 e 30.000 K (IPAC, 2024). Essa estrela é cerca de 12.100 vezes mais luminosa que o Sol e possui uma massa aproximadamente 10,9 vezes a do Sol (BURNHAM, 1978). Sua companheira, uma estrela do tipo B2, é um pouco menor, com 6,8 vezes a massa solar, mas igualmente intrigante. Observar Spica também nos permite compreender os eventos das estrelas Beta Cephei, já que suas pulsações periódicas fazem o brilho de Spica oscilar, fascinando os astrônomos com essas mudanças regulares (SIMBAD, 2024; IPAC, 2024).

Ao longo dos séculos, Spica sempre despertou interesse, não só pelos astrônomos, mas também em diversas culturas antigas, sendo conhecida por nomes como Azimech e Alaraph (ARGYLE, 2012). Estar próxima da eclíptica faz com que seja ocasionalmente ocultada pela Lua e, mais raramente, pelos planetas. Esses eventos proporcionam aos astrônomos a oportunidade de realizar estudos astrométricos detalhados. Além disso, devido à precessão dos equinócios, Spica experimenta ciclos de ocultação aproximadamente a cada nove anos (ARGYLE, 2012).

Com seu caráter binário e pulsante, Spica continua a ser uma das estrelas mais estudadas no que se refere à evolução estelar e aos sistemas binários. Observar Spica é um convite para compreender melhor os processos físicos que moldam estrelas massivas e os ciclos que regem o universo (SIMBAD, 2024; BURNHAM, 1978). Seja você um astrônomo amador ou profissional, essa estrela tem muito a ensinar sobre os segredos do universo.

Importância

As ocultações de estrelas pela Lua oferecem uma oportunidade ímpar para contribuir com a ciência enquanto se explora o céu. Ao testemunhar e registrar esses momentos, os astrônomos amadores desempenham um papel crucial na coleta de dados valiosos. Seu envolvimento não apenas enriquece o conhecimento coletivo sobre as estrelas envolvidas, mas também proporciona uma jornada única e emocionante de descoberta pessoal do meio interestelar que nós encontramos. A união de esforços para observar, registrar e compartilhar esses eventos inspira a todos com a maravilha do universo. 

Cada registro é uma peça importante, e sua próxima observação pode revelar novos detalhes que ainda aguardam ser compreendidos. Que tal contribuir para essa jornada científica?

Sites recomendados:

www.rea-brasil.org/ocultacoes

"Como observar"

http://www.rea-brasil.org/ocultacoes/observar.htm

"formulário de reporte"

http://www.rea-brasil.org/ocultacoes/1reporte_ocultacoes_lunares_v2.0c2_portugues.xls (ocultações lunares) ou

http://www.rea-brasil.org/ocultacoes/reporte_asteroides.xls 

(ocultações de estrelas por asteroides).

No Facebook:

https://www.facebook.com/groups/806932362709528/

Ocultações Astronômicas”.

Este grupo destina-se à divulgação e discussão de eventos astronômicos na área de 'Ocultações'; Ocultações de estrelas e planetas pela Lua, ocultações de estrelas por asteroides e as técnicas empregadas para o registro destes eventos (PADILLA FILHO, 2016).

Boas observações e céus limpos!!

Referências:

MOURÃO, R.R.F. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1987,  914P.

CAMPOS, A.R. Almanaque Astronômico Brasileiro 2025. Belo Horizonte: Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), 2024. 146 p. Disponível em: <https://is.gd/Alma2025>  Acesso em 02 Dez 2024.

PADILLA FILHO. A. A ocultação de TYC 5667-00417-1 por 236 Honoria. Sky and Observers, jul 2016. Disponível em:< https://sky-observers.blogspot.com/2016/07/a-ocultacao-de-tyc-5667-00417-1-por-236.html >, Acesso em 22 mai. 2017.

HERALD, D. Occult4 v4.1.0.27 (24 March. 2014) Uptade v4.2.0 available in: <http://www.lunar-occultations.com/occult4/occultupdate.zip> Acesso em: 02 Nov. 2022.

ARGYLE, Robert W. Observing and Measuring Visual Double Stars. 2. ed. New York: Springer, 2012. (Patrick Moore’s Practical Astronomy Series). Capítulo 18: Lunar Occultations.

BURNHAM, Robert. Burnham’s Celestial Handbook - Vol 3. Nova York: Dover Publications, 1978.

SIMBAD, Centre de Données astronomiques de Strasbourg. alf Vir - Spica. Disponível em: https://simbad.u-strasbg.fr/simbad/sim-id?Ident=*%20alf%20Vir e <(https://simbad.u-strasbg.fr/simbad/sim-id?Ident=*%20alf%20Vir>. Acesso em: 27 de out. 2024.

IPAC, NASA/IPAC Extragalactic Database. *Alpha Virginis - Spica*. Disponível em: [https://ned.ipac.caltech.edu/cgi-bin/objsearch?objname=*%20alf%20Vir](https://ned.ipac.caltech.edu/cgi-bin/objsearch?objname=*%20alf%20Vir). Acesso em: 27 de out. 2024.

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