O asteroide (62) Erato em 2026

Antônio Rosa Campos

O asteroide (62) Erato, um corpo menor pertencente ao cinturão principal de asteroides, estará em oposição no dia 20 de novembro de 2026, às 00:00 TU. Localizado na constelação de Touro (Tau / Taurus), o objeto apresentará as coordenadas equatoriais (J2000.0) Ascensão Reta 03h 44m 57.16s e Declinação +16° 25′ 01.2″.

Fig. 1 (62) Erato. Imagem gerada por IA em 18/06/2026.

Ao alinhar-se nesta oposição, o corpo menor registrará a magnitude visual de 12.09, favorecido por uma elongação solar de 176.6548°, posicionando-se quase em oposição geométrica exata. A Lua, por sua vez, estará com uma fase gibosa crescente de +0,779, apresentando uma magnitude de −11.2 e uma elongação angular de 123.8° em relação ao Sol. Embora o brilho lunar seja expressivo nesta noite, a separação angular considerável e o uso de técnicas de filtragem digital ou janelas observacionais adequadas permitirão o registro astrométrico e fotométrico satisfatório do asteroide por meio de instrumentos ópticos de médio a grande porte.

Eixo de Memória Histórica e Perfil Astrofísico

Como demonstra seu número em ordem de nomeação indicado entre parênteses, (62) Erato foi descoberto em 14 de setembro de 1860 pelos astrônomos alemães Oskar Lesser (1830–1887) e Wilhelm Julius Förster (1832–1921) operando a partir do Observatório de Berlim. Esta foi a primeira descoberta de asteroide registrada como coautoria oficial na história da astronomia. Seu nome foi escolhido em homenagem a Erato, a musa da poesia lírica e erótica na mitologia grega.

Sob a perspectiva astrofísica contemporânea fornecida pelos dados do JPL Horizons, (62) Erato possui características típicas de corpos primitivos. Classificado sob o tipo espectral Ch, o sufixo “h” denota assinaturas espectrais indicativas de alteração aquosa e minerais hidratados em sua superfície. O asteroide apresenta uma magnitude absoluta de 8,76, parâmetro de inclinação de fase de 0,150 e um índice de cor de 0,708. Com base em seu raio volumétrico médio de 53,4605 km, determina-se um diâmetro médio de 106,92 km. Sua superfície é excepcionalmente escura, exibindo um albedo geométrico de apenas 0,048 (refletindo meros 4,8% da luz solar incidente). O objeto completa uma rotação em torno de seu próprio eixo a cada 9,2213 horas e viaja ao redor do Sol com uma excentricidade de 0,172043 e uma inclinação orbital de 2,22997° em relação ao plano da eclíptica.

Registro Observacional do Ciclo Precedente

No ciclo observacional anterior, na noite de 12 de agosto de 2025 (registrado na fração correspondente a 13,03874 de agosto de 2025 em Tempo Universal), o asteroide (62) Erato foi monitorado com sucesso a partir da Estação Observacional X33 pelo astrônomo amador Geovandro Nobre. Naquela ocasião, o objeto encontrava-se em uma geometria muito mais complexa e distante de uma oposição, registrando uma elongação solar de apenas 74°.

Fig. 1. (62) Erato em 2025 - Crédito: Geovandro Nobre - OARU - Manaus-AM, Brasil.

Essa configuração geométrica desfavorável resultou em uma queda expressiva de seu fluxo luminoso, fazendo com que o asteroide registrasse uma magnitude empírica calibrada em 13.2 V na banda V, com coordenadas medidas em Ascensão Reta 20h 38m 17.42s e Declinação −18° 51′ 24.5″. O registro foi obtido através de um empilhamento de 5 exposições de 30 segundos (2,5 minutos de integração total) com um telescópio refletor de 0.20-m f/5.0, escala de placa de 1,91″/px e campo de visão (FOV) de 6,1 x 6,1 minutos de arco. O monitoramento registrou um movimento aparente lento de 0,139″/min sob um ângulo de posição (PA) de 251,8°. A confrontação entre aquele cenário de afastamento (mag. 13.2 V) e o atual alinhamento de oposição (mag. 12.09) valida empiricamente a aplicação da lei fundamental de Pogson para o cálculo das razões de fluxo luminoso em astrofotometria:

(m2 − m1) = 2,5 · log(F1 / F2)

Perspectivas Futuras e Estratégia de Observação

A oposição de novembro de 2026, com o asteroide atingindo magnitude 12.09 em Touro, representa um ganho de brilho substancial em relação ao ciclo de 2025. Para contornar a iluminação difusa provocada pela fase lunar de +0,779, sugere-se que os observadores priorizem a aquisição de dados quando o alvo atingir sua culminação superior (maior altitude no meridiano local) e façam uso de telescópios com aberturas a partir de 150–200 mm equipados com sensores CMOS/CCD. O acompanhamento contínuo permitirá refinar a curva de luz do objeto e investigar as propriedades fotométricas deste massivo e escuro corpo carbonáceo do cinturão principal.

Boas observações e céus limpos!

Notas:

1: (au) Conforme a Resolução da IAU 2012 B2, redefiniu-se a unidade astronômica de comprimento correspondendo à distância média da Terra ao Sol equivalendo assim a 149.597.870.700 metros, devendo ser representada unicamente por au (“astronomical unit”).
2: As coordenadas equatoriais ascensão reta e declinação (J2000.0) são apresentadas no formato HH:MM:SS (hora/grau, minuto e segundo).
3: A fase lunar acima mencionada assume os seguintes valores: 0.000 = Nova; +0.500 = Quarto crescente; 1.000 = Cheia e −0.500 = Quarto minguante. Em conformidade com os padrões técnicos adotados no Brasil, a fase é expressa em valores decimais.
4: Instrumentação recomendada e Limite de Portabilidade:
• Pequena abertura: 70–120 mm
• Média abertura: 120–180 mm
• Maior abertura: 180–250 mm

Referências:

  • CAMPOS, Antônio Rosa. Almanaque Astronômico Brasileiro 2026. Belo Horizonte: CEAMIG, 2025. Disponível em: https://is.gd/Alma2026. Acesso em: 19 Jun. 2026.
  • MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1987.
  • NASA/JPL. Horizons System Ephemeris Service (Target: 62 Erato). Caltech/Jet Propulsion Laboratory. Disponível em: https://ssd.jpl.nasa.gov/horizons/app.html. Acesso em: 19 Jun. 2026.
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