O asteroide (46) Hestia em 2026

 Antônio Rosa Campos

O asteroide (46) Hestia, um dos corpos menores pertencentes à região interna do cinturão principal, estará em oposição no dia 24 de outubro de 2026, às 00:00 TU. Localizado na constelação de Peixes (Psc/ Pisces), o objeto apresentará as coordenadas equatoriais (J2000.0) Ascensão Reta 01h 53m 16.61s e Declinação +09° 21′ 29.7″.

Ao alinhar-se nesta oposição, o corpo menor registrará a magnitude visual de 10.62 e uma elongação solar de 177.8042°. A Lua estará com fase de +0,940, apresentando magnitude de -12.0 e elongação de 151.6°. Embora a alta iluminação lunar próxima ao plenilúnio espalhe brilho pelo fundo do céu, a magnitude calculada de 10.62 torna este corpo menor um alvo perfeitamente acessível para instrumentos ópticos de médio porte e sensores digitais calibrados.

Descoberto em 16 de agosto de 1857 pelo astrônomo inglês Norman Robert Pogson no Observatório de Oxford, (46) Hestia é o corpo principal da família Hestia. Classificado sob o tipo espectral Xc, o corpo menor possui magnitude absoluta de 8,5, parâmetro de inclinação de fase de 0,060 e um índice de cor de 0,692. Dados baseados em seu raio de 65,7355 km determinam um diâmetro volumétrico médio de 131,47 km, associado a um albedo geométrico escuro de 0,046. O objeto completa uma rotação sobre o próprio eixo em 21,04 horas e orbita o Sol com excentricidade de 0,171979 e inclinação orbital suave de apenas 2,3424°, cumprindo um período sideral de 4,01 anos e um período sinódico de aproximadamente 486 dias e 3 horas.

Registro Observacional

No ciclo observacional precedente, na noite de 22 de maio de 2025, às 23h 37m 28s Horário Local (registrado na fração correspondente a 23,06769 de maio de 2025 em Tempo Universal), o asteroide (46) Hestia foi monitorado com sucesso a partir da Estação Observacional X33 pelo astrônomo amador Geovandro Nobre. Na ocasião, o alvo apresentava uma magnitude visual calibrada de 12.1 na banda V, com as coordenadas equatoriais medidas de Ascensão Reta 15h 19m 57.02s e Declinação -15° 13′ 45.7″.

Figura 2 - (46) Hestia em 2025 - Crédito: Geovandro Nobre - OARU - Manaus-AM, Brasil.

O registro foi composto por um empilhamento de 5 exposições de 30 segundos (tempo total de integração de 2,5 minutos) utilizando um telescópio refletor de 0.20-m f/5.0, com escala de placa ajustada em 1,91″/px e campo de visão (FOV) de 6,1 x 6,1 minutos de arco. O objeto encontrava-se a uma elongação solar de 121°, sustentando um movimento aparente medido em 0,253″/min sob um ângulo de posição (PA) de 278,2°. Esse monitoramento empírico preciso validou de forma fidedigna a aplicação prática da relação matemática formalizada por Pogson em 1856 para quantificar as razões de fluxo luminoso (F1/F2) em astrofotometria planetária:

(m2 - m1) = 2,5 log
F1
F2

Perspectivas Futuras e Estratégia de Observação

A oposição de outubro de 2026 oferece uma excelente oportunidade para o acompanhamento astrométrico e fotométrico deste objeto. Com a magnitude de 10.62, recomenda-se o uso de mapas celestes detalhados da região de Pisces (Psc). Telescópios de médio porte (120–180 mm) equipados com câmeras CCD ou CMOS são altamente recomendados para a aquisição de dados confiáveis. O desafio tático principal será mitigar a interferência da Lua quase cheia (+0,940), o que exigirá a aplicação rigorosa de técnicas de proteção contra luz difusa (stray light) no sistema óptico e tempos de exposição bem dimensionados para evitar a saturação do fundo do céu.

Boas observações e céus limpos!

Notas:

1 = (au) Conforme a Resolução da IAU 2012 B2, acolhendo proposta do grupo de trabalho “Numerical Standards for Fundamental Astronomy”, redefiniu-se a unidade astronômica de comprimento correspondendo à distância média da Terra ao Sol equivalendo assim a 149.597.870.700 metros, devendo ser representada unicamente por au (“astronomical unit”).

2 = As coordenadas equatoriais ascensão reta e declinação (J2000.0) são apresentadas no formato HH:MM:SS (hora/grau, minuto e segundo).

3 = A fase lunar acima mencionada assume os seguintes valores: 0.000 = Nova; +0.500 = Quarto crescent; 1.000 = Cheia e -0.500 = Quarto minguante.

4 = Instrumentação recomendada e Limite de Portabilidade:
Pequena abertura: 70–120 mm
Média abertura: 120–180 mm
Maior abertura: 180–250 mm

Referências:

• ALMEIDA, Guilherme. Norman Robert Pogson e a escala de magnitudes estelares. Gazeta de Física, v. 34, n. 3/4, p. 52-54, 2011.

• CAMPOS, Antônio Rosa. Almanaque Astronômico Brasileiro 2026. Belo Horizonte: CEAMIG, 2025. Disponível em: https://is.gd/Alma2026. Acesso em: 17 Jun. 2026.

• MINOR PLANET CENTER. (46) Hestia Orbit/Observations Database. Disponível em: https://www.minorplanetcenter.net/db_search. Acesso em: 17 Jun. 2026.

• MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1987.

• NAPOLEÃO, Tasso. Aprendendo (astro) física com as estrelas variáveis. Astrofísica Estelar para o Ensino Médio, capítulo 12, p. 38-42, 2018.

• NASA/JPL. Horizons System Ephemeris Service. Caltech/Jet Propulsion Laboratory. Disponível em: https://ssd.jpl.nasa.gov/horizons/app.html. Acesso em: 20 Abr. 2020.


Postagem Anterior Próxima Postagem