A Chuva de Meteoros Bootídeos de Junho (170 JBO) em 2026

 Antônio Rosa Campos

Os Bootídeos de Junho (170 JBO) estarão ativos entre 22 de junho e 02 de julho de 2026, com máximo em 22 de junho (λ⊙ = 90°.3, J2000.0), segundo o Almanaque Astronômico Brasileiro 2026. O “ponto do céu de onde os meteoros parecem sair” (radiante) fica em AR = 221° e Dec = +48°, na região de Boötes (Boieiro). A taxa de referência é THZ = 18, porém marcada como Var (variável), indicando que a atividade pode oscilar de um ano para outro.

Figura 1. Concepção artística de um meteoro Bootídeos  – Fonte: LeonardoIA.

Velocidade (V∞)

A velocidade meteórica pré-atmosférica é V∞ = 18 km/s, o que coloca essa chuva na faixa de meteoros lentos. Para contextualizar (escala didática usada em divulgação e observação visual): cerca de 11 km/s (muito lenta), ~40 km/s (valor de referência próximo à média das chuvas) e 72 km/s (muito rápida). Aqui, 18 km/s está bem abaixo de 40 km/s — portanto, meteoros com deslocamento aparente mais “calmo”, favorecendo registros fotográficos quando o céu está escuro.

Fase da Lua e impacto prático em 2026

No máximo de 22/06, o AAB [1] indica fase lunar = +0.610, o que corresponde a Lua Crescente avançada, caminhando para a Lua Cheia (já há interferência considerável de brilho). Em termos práticos:

- Em céu urbano (Bortle alto), tende a sobrar apenas os meteoros mais brilhantes.

- Para registrar meteoros mais fracos, a recomendação é priorizar locais escuros (Bortle baixo [4]) e escolher horários em que a Lua esteja mais baixa no céu, usando o próprio corpo/uma parede para bloquear a luz direta.

Condições de visibilidade no Brasil (foco em latitudes sul)

Com declinação +48°, o radiante é bem setentrional. Isso significa que, no Brasil, ele fica baixo no horizonte norte e a taxa aparente diminui, principalmente no Centro-Sul.

- Norte e Nordeste: condições relativamente melhores; o radiante sobe mais e permanece acima do horizonte por mais tempo.

- Centro-Oeste e Sudeste: radiante baixo; priorize horizonte norte desobstruído e observação na segunda metade da noite.

- Sul: radiante muito baixo; a contagem tende a ser pequena, mas meteoros brilhantes ainda podem aparecer.

Condições de visibilidade nas Américas

- América Central, México e sul dos EUA: o radiante atinge alturas maiores, aumentando a taxa observada em comparação ao Brasil.

- América do Norte (latitudes médias): costuma ser a faixa mais favorável para acompanhar a atividade dessa chuva.

- América do Sul (latitudes médias/austrais): cenário semelhante ao Brasil Centro-Sul — radiante baixo e taxas reduzidas.

Orientação para registros visuais e digitais

Observação visual (sem instrumentos)

1) Escolha um local o mais escuro possível (Bortle baixo).

2) Evite olhar para a Lua; observe uma região do céu com boa porção “aberta”, mas com o brilho lunar fora do campo.

3) Faça sessões de 30–60 min e anote a hora e a direção aproximada (ex.: “subiu do norte para o leste”), mesmo que veja poucos meteoros.

Registro digital (celular/câmera)

- Câmera/celular em tripé, apontando para uma área ampla do céu (grande angular).

- Foque em manter o horizonte fora do quadro e a Lua fora do enquadramento (ou bloqueada).

- Faça sequências contínuas de fotos; depois procure “riscos” curtos e discretos.

Notas:

1) THZ (Taxa Horária Zenital): número de meteoros que um observador poderia ver em 1 hora (60 min) se o radiante estivesse no zênite, onde a absorção atmosférica é mínima. Na contagem, adota-se o limite padrão de magnitude 6,5.[1]

2) V∞ (km/s): velocidade meteórica pré-atmosférica (aparente). As velocidades variam de ~11 km/s (muito lenta) a 72 km/s (muito rápida). ~40 km/s é uma referência de velocidade média.[1]

3) λʘ (longitude solar): medida precisa da posição da Terra em sua órbita (J2000.0), usada para comparar máximos sem depender das incertezas do calendário.[1]

4) Escala Bortle: classificação da “qualidade do céu” (poluição luminosa) usada para orientar o quanto se pode enxergar a olho nu.

Referências:

[1] CAMPOS, Antônio Rosa. Almanaque Astronômico Brasileiro 2026. Belo Horizonte: CEAMIG, 2025. Disponível em: https://is.gd/Alma2026. Acesso em:  02 Dez. 2025.

[2] CAMPOS, Antônio Rosa; FARIA, Aléxia Lage de. Aula T06 — Magnitude limite e poluição luminosa: Escala Bortle. Material didático do curso Fundamentos de Astronomia para a Prática Observacional (GREC/CEAMIG). 2025. Documento em PDF. Acesso em: 14 jan. 2026.

[3] INTERNATIONAL ASTRONOMICAL UNION (IAU). Meteor Data Center (MDC) — Shower database: 00170 / JBO / June Bootids. (Corpo parental proposto: 7P/Pons-Winnecke).


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