A Chuva de Meteoros π-Pupídeos (137 PPU) em 2026

 Antônio Rosa Campos

A chuva de meteros π-Pupídeos (137 PPU) estará ativa entre 15 de abril a 28 de abril de 2026, com máximo previsto para 24 de abril de 2026 (TU), quando o Sol atinge λ⊙ = 33°.5. O radiante situa-se em AR = 110° e Dec = −45°.

Dados básicos

Período de atividade: 15 de abril a 28 de abril de 2026

Data do máximo (TU): 24 de abril de 2026

λ⊙ (J2000.0): 33°.5

Radiante (AR/Dec): 110° / −45°

V∞: 18 km/s (meteoros lentos (bem abaixo da referência média de ~40 km/s))

THZ: Var = variável 

Fase lunar: +0,490

Velocidade (V∞) — o que isso significa na prática

Com V∞ = 18 km/s, esta chuva se enquadra como meteoros lentos (bem abaixo da referência média de ~40 km/s). Em geral, meteoros mais rápidos tendem a cruzar o céu em menos tempo; meteoros mais lentos parecem “andar” mais devagar. A escala didática usada aqui vai de 11 km/s (muito lenta) a 72 km/s (muito rápida), com ~40 km/s como referência média.

Lua e poluição luminosa: condições práticas para 2026

A fase lunar indicada (+0,490) sugere a presença de luz da Lua em parte da noite. Na prática:

• Se você observar sob céu escuro (Bortle 1–4), verá mais meteoros fracos e a contagem se aproxima melhor do potencial da chuva.

• Em céu urbano (Bortle 7–9), a luz do céu “apaga” meteoros fracos; priorize meteoros brilhantes e registros digitais.

• Quando a Lua estiver alta e iluminando o céu, o contraste cai: procure horários em que ela esteja mais baixa e, se possível, um local mais escuro.

Condições de visibilidade no Brasil (foco no Hemisfério Sul)

Com declinação do radiante em −45°, a chuva favorece o Hemisfério Sul. No Brasil, a visibilidade tende a ser boa, especialmente do Centro-Oeste ao Sul e em parte do Sudeste, onde o radiante pode ganhar altura durante a noite. No Norte/Nordeste, ainda é observável, mas o radiante fica um pouco mais baixo. Como a THZ é variável, o melhor é observar em várias noites ao redor do máximo.

Condições de visibilidade nas Américas

Na América do Sul, em geral, a geometria favorece a observação. Na América Central e parte do México, o radiante fica baixo, e a taxa aparente diminui. Na maior parte da América do Norte, a visibilidade é limitada pela baixa elevação do radiante.

Orientação prática de registro (visual e digital)

• Observação visual: como a taxa é variável, faça sessões curtas (30–60 min) em várias noites e compare os resultados.

• Registro digital: útil em céu com Lua ou em áreas urbanas; use câmera grande angular e sequência contínua.

• Dica prática: meteoros lentos costumam durar um pouco mais no céu, facilitando registrar em foto/vídeo, mas a luz da Lua pode reduzir os mais fracos.

Figura. 1 - Retrata um "Star Party" no campo durante o pico da chuva de meteoros π-Pupídeos.

Figura. 1 - Retrata um "Star Party" no campo durante o pico da chuva de meteoros π-Pupídeos. Gerada pela IA Gemini 3 (2026).

Corpo parental (quando identificado)

A ficha da IAU MDC para 137 PPU indica como corpo parental proposto o cometa periódico 26P/Grigg-Skjellerup.

Notas:

1) THZ = Taxa Horária Zenital. É o número de meteoros que *poderiam* ser vistos em 1 hora (60 min) se o ponto do céu de onde eles parecem sair (radiante) estivesse bem no alto do céu e com céu muito escuro. Na contagem, adota-se o limite padrão de magnitude 6,5.

2) V∞ (km/s) = velocidade meteórica pré-atmosférica/aparente. Classificação didática:

   • 11 km/s = muito lenta (limite inferior)

   • ~40 km/s = referência próxima da média

   • 72 km/s = muito rápida (limite superior)

3) λ⊙ = longitude solar (J2000.0), forma precisa de marcar a posição da Terra na órbita, independente do calendário.

4) Fase lunar (nesta série): 0,000 = Lua Nova; +0,500 = Quarto Crescente; 1,000 = Lua Cheia; −0,500 = Quarto Minguante. Sinal (+) indica fase crescente; 1,000 indica Lua Cheia; sinal (−) indica fase minguante, caminhando para 0,000.

Escala Bortle (poluição luminosa) — referência rápida (magnitude limite a olho nu, aproximada):

• Classe 1 (céu excelente): ~7,6–8,0

• Classe 2 (muito escuro): ~7,1–7,5

• Classe 3 (rural): ~6,6–7,0

• Classe 4 (rural/suburbano): ~6,1–6,5

• Classe 5 (suburbano): ~5,6–6,0

• Classe 6 (subúrbio claro): ~5,5

• Classe 7 (transição subúrbio/cidade): ~5,0

• Classe 8 (cidade): ~4,5

• Classe 9 (centro urbano): ≤4,0

Leitura prática: quanto maior a classe Bortle, mais claro fica o céu e menos meteoros fracos você consegue ver.

Referências:

CAMPOS, Antônio Rosa (org.). Almanaque Astronômico Brasileiro 2026. Belo Horizonte: CEAMIG, 2025. Disponível em: <https://is.gd/Alma2026>. Acesso em: 02 dez. 2026.

INTERNATIONAL METEOR ORGANIZATION (IMO). IMO Meteor Shower Calendar 2026. International Meteor Organization, 2026. Acesso em: 14 jan. 2026.

BORTLE, John E. Introducing the Bortle Dark-Sky Scale. Sky & Telescope, v. 101, n. 2, p. 126–129, fev. 2001. Disponível em: <https://skyandtelescope.org/wp-content/uploads/BortleDarkSkyScale.pdf.> Acesso em: 14 jan. 2026.

INTERNATIONAL ASTRONOMICAL UNION (IAU). Meteor Data Center (MDC): shower entry 137 PPU. International Astronomical Union, s.d. Disponível em: <https://www.ta3.sk/IAUC22DB/MDC2007/>. Acesso em: 14 jan. 2026.

MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1987.

GOOGLE. Gemini 3 (IA). Representação de observadores em uma Star Party no campo: 1 imagem gerada por inteligência artificial a partir de parâmetros técnicos de Antônio Rosa Campos. [S. l.]: Google, 2026. Acesso em: 10 mar. 2026.

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