A chuva de Meteoros Lirídeos de abril (006 LYR) estará ativa entre 14 de abril a 30 de abril de 2026, com máximo previsto para 22 de abril de 2026 (TU), quando o Sol atinge λ⊙ = 32°.32. O radiante situa-se em RA = 271° e Dec = +34°.
Dados:
• Período de atividade: 14 de abril a 30 de abril de 2026
• Data do máximo (TU): 22 de abril de 2026
• λ⊙ (J2000.0): 32°.32
• Radiante (AR/Dec): 271° / +34°
• V∞: 49 km/s (meteoros rápidos (acima da referência média de ~40 km/s))
• THZ: 18
• Fase lunar: +0,270
Velocidade (V∞) — o que isso significa na prática
Com V∞ = 49 km/s, esta chuva se enquadra como meteoros rápidos (acima da referência média de ~40 km/s). Em geral, meteoros mais rápidos tendem a cruzar o céu em menos tempo; meteoros mais lentos parecem “andar” mais devagar. A escala didática usada aqui vai de 11 km/s (muito lenta) a 72 km/s (muito rápida), com ~40 km/s como referência média.
Lua e poluição luminosa: condições práticas para 2026
A fase lunar indicada (+0,270) sugere a presença de luz da Lua em parte da noite. Na prática:
• Se você observar sob céu escuro (Bortle 1–4), verá mais meteoros fracos e a contagem se aproxima melhor do potencial da chuva.
• Em céu urbano (Bortle 7–9), a luz do céu “apaga” meteoros fracos; priorize meteoros brilhantes e registros digitais.
• Quando a Lua estiver alta e iluminando o céu, o contraste cai: procure horários em que ela esteja mais baixa e, se possível, um local mais escuro.
Condições de visibilidade no Brasil (foco no Hemisfério Sul)
Com declinação do radiante em +34°, a chuva favorece o Hemisfério Norte. Ainda assim, no Brasil e na maior parte da América do Sul é possível observar meteoros, principalmente na segunda metade da noite e na madrugada, quando a região do radiante fica mais alta. No Sul do Brasil, Argentina, Uruguai e Chile, o radiante tende a ficar mais baixo e a taxa aparente cai. Quanto mais ao Norte (Brasil Norte/Nordeste, Caribe e México), melhores são as condições.
Condições de visibilidade nas Américas
Na América do Norte, o radiante alcança grandes alturas, aproximando as taxas do valor de referência. No México, Caribe e norte da América do Sul, a visibilidade é intermediária. Em latitudes mais austrais da América do Sul, a baixa elevação do radiante reduz a taxa contínua, mas meteoros brilhantes podem ser vistos se o horizonte estiver livre.
Orientação prática de registro (visual e digital)
• Observação visual: deite em cadeira reclinável, olhe para uma grande área do céu e evite encarar luzes. Registre em um caderno o horário e a quantidade vista a cada 15 minutos.
• Registro digital: câmera grande angular (ou lente ‘olho de peixe’), apontada para o alto, em tripé. Faça séries contínuas de fotos (ou vídeo) e depois conte os riscos de luz.
• Para comparar com a THZ: prefira céu Bortle 4 ou melhor e horizonte limpo; em céu urbano, use o digital para capturar meteoros mais brilhantes.
Figura 1 – Representação de observadores em uma Star Party no campo
Figura. 1 - Um grupo de observadores está acomodado em cadeiras reclináveis e agasalhados. Gerada pela IA Gemini 3 (2026).
Corpo parental
Associação conhecida na literatura com o cometa C/1861 G1 (Thatcher) — frequentemente citado como corpo parental dos Lirídeos.
Para padronização do código, a ficha da IAU MDC lista o corpo parental proposto para 006 LYR.
Notas:
1) THZ = Taxa Horária Zenital. É o número de meteoros que poderiam ser vistos em 1 hora (60 min) se o ponto do céu de onde eles parecem sair (radiante) estivesse bem no alto do céu e com céu muito escuro. Na contagem, adota-se o limite padrão de magnitude 6,5.
2) V∞ (km/s) = velocidade meteórica pré-atmosférica/aparente. Classificação didática:
• 11 km/s = muito lenta (limite inferior)
• ~40 km/s = referência próxima da média
• 72 km/s = muito rápida (limite superior)
3) λ⊙ = longitude solar (J2000.0), forma precisa de marcar a posição da Terra na órbita, independente do calendário.
4) Fase lunar (nesta série): 0,000 = Lua Nova; +0,500 = Quarto Crescente; 1,000 = Lua Cheia; −0,500 = Quarto Minguante. Sinal (+) indica fase crescente; 1,000 indica Lua Cheia; sinal (−) indica fase minguante, caminhando para 0,000.
Escala Bortle (poluição luminosa) — referência rápida (magnitude limite a olho nu, aproximada):
• Classe 1 (céu excelente): ~7,6–8,0
• Classe 2 (muito escuro): ~7,1–7,5
• Classe 3 (rural): ~6,6–7,0
• Classe 4 (rural/suburbano): ~6,1–6,5
• Classe 5 (suburbano): ~5,6–6,0
• Classe 6 (subúrbio claro): ~5,5
• Classe 7 (transição subúrbio/cidade): ~5,0
• Classe 8 (cidade): ~4,5
• Classe 9 (centro urbano): ≤4,0
Leitura prática: quanto maior a classe Bortle, mais claro fica o céu e menos meteoros fracos você consegue ver.
Boas observações e céus limpos!
Referências:
CAMPOS, Antônio Rosa (org.). Almanaque Astronômico Brasileiro 2026. Belo Horizonte: CEAMIG, 2025. Disponível em: <https://is.gd/Alma2026>. Acesso em: 02 dez. 2025.
INTERNATIONAL METEOR ORGANIZATION (IMO). IMO Meteor Shower Calendar 2026. International Meteor Organization, 2026. . Acesso em: 14 jan. 2026.
BORTLE, John E. Introducing the Bortle Dark-Sky Scale. Sky & Telescope, v. 101, n. 2, p. 126–129, fev. 2001. Disponível em: <https://skyandtelescope.org/wp-content/uploads/BortleDarkSkyScale.pdf.> Acesso em: 14 jan. 2026.
INTERNATIONAL ASTRONOMICAL UNION (IAU). Meteor Data Center (MDC): shower entry 006 LYR. International Astronomical Union, s.d. Disponível em: <https://www.ta3.sk/IAUC22DB/MDC2007/>. Acesso em: 14 jan. 2026.
MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1987.
GOOGLE. Gemini 3 (IA). Representação de observadores em uma Star Party no campo: 1 imagem gerada por inteligência artificial a partir de parâmetros técnicos de Antônio Rosa Campos. [S. l.]: Google, 2026. Acesso em: 10 mar. 2026.