O Eclipse Anular do Sol em 17 de Fevereiro de 2026

 Antônio Rosa Campos

Em 17 de fevereiro próximo ocorrerá o primeiro Eclipse deste ano, cuja região de visibilidade para este fenômeno engloba quase exclusivamente as regiões polares no hemisfério sul e a Antártida, com o instante máximo ocorrendo às 12:13:06 (TD).

A duração máxima da fase anular será de 02m 20s, fazendo com que este seja um evento de curta duração, mas de rara beleza pela sua localização extrema, conforme exemplificado na Figura 1 – Representação artística do Eclipse Anular na Antártida com observadores e pinguins.


Fonte:
 Gerado por IA Gemini (2026).

A Faixa Central da Anularidade em Detalhes

O ponto culminante deste eclipse incidirá sobre o continente Antártico nas coordenadas geográficas 64° 42' S e 86° 48' E (64.7S 86.8E), conforme indicado nos dados canônicos de Espenak & Meeus. Diferentemente de eventos anteriores que cruzaram áreas densamente povoadas, a faixa central deste eclipse — com uma largura estimada de 616 km — percorrerá vastas extensões de gelo e oceano.

Nesta região remota, podemos destacar a passagem da anularidade sobre locais de pesquisa científica, como a Estação Concordia (França/Itália) e a Estação Mirny (Rússia), onde o Sol estará baixo no horizonte (entre 5° e 13° de altura), proporcionando um cenário dramático para os poucos observadores presentes.

As áreas de visibilidade parcial

Este eclipse anular será observado parcialmente em uma área geográfica restrita, devido à geometria da sombra penumbral da Lua tocando a Terra em latitudes muito altas:

Antártida:  Visibilidade em praticamente todo o continente.

África:  Extremo sul do continente.

América do Sul:  Regiões mais austrais (Terra do Fogo e Patagônia).


Figura 2 – Projeção da faixa de anularidade sobre a Antártida

O Ciclo de Saros

É a periodicidade e recorrência com que os eclipses se repetem aproximadamente na mesma sequência.

Saros Série 121

Sob esse contexto, este evento pertence à família do Saros 121. Este é o evento de número 61 de uma série de 71 eclipses (segundo o catálogo de 5 milênios). O fato de ser o membro 61 indica que esta série está em sua fase "senil", produzindo eclipses que mal tocam as regiões polares antes da série se encerrar definitivamente nas próximas décadas. Esta informação adiciona profundidade à compreensão da mecânica celeste e da evolução temporal das famílias de eclipses.

Conclusão

A ocorrência deste eclipse na remota Antártida nos lembra da vasta escala do nosso planeta e da precisão dos movimentos celestes. Embora poucos "caçadores de eclipses" possam presenciar o "Anel de Fogo" ao vivo neste local inóspito — um espetáculo, como se diz, "para os pinguins" e toda a vida marinha naquela região — o registro e o acompanhamento das efemérides continuam a ser uma fonte de admiração.

Certamente, aqueles que acompanharem via transmissão remota ou os cientistas nas estações polares darão razão ao saudoso Jay Pasachoff sobre a singularidade de cada alinhamento entre o Sol, a Lua e a Terra.

Boas Observações e Céus Limpos!


Referências:

CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais). Almanaque Astronômico Brasileiro 2026. Belo Horizonte: CEAMIG, dez. 2025. 1 arquivo PDF. Disponível em: https://is.gd/Alma2026. Acesso em: 02 Dez. 2025.

Mourão, R.R.F. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio e Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1987,  914P.

ESPENAK, Fred; MEEUS, Jean. *Five Millennium Catalog of Solar Eclipses: -1999 to +3000*. NASA/GSFC.

SPACE.COM. *1 month until a 'ring of fire' annular solar eclipse 2026*. Acesso em: 18 Jan. 2026.

GOOGLE. Google Earth. Imagem de satélite da região da Antártida (Estação Concordia). Mountain View: Google, 2026. Disponível em: https://earth.google.com/. Acesso em: 19 jan. 2026. Nota: Imagem composta com dados de efemérides do eclipse (Série Saros 121).

Postagem Anterior Próxima Postagem