O asteroide (35) Leukothea em 2026

Antônio Rosa Campos

O asteroide (35) Leukothea, corpo do cinturão principal com diâmetro estimado em 103 km, estará em oposição no dia 01 de março de 2026, às 00:00 TU. Posicionado na constelação de Leão (Leo), o objeto apresentará as coordenadas equatoriais AR = 10h 48m 38s.93 e Declinação = +10° 48' 01''.2 (J2000.0).

Nesta ocasião, o astro atingirá a magnitude visual 11,67 e uma elongação solar de 176,9°. Devido a esta magnitude, sua detecção visual requer telescópios de médio porte (abertura superior a 150 mm) sob condições ideais. Contudo, a observação será desafiadora devido à interferência da Lua, que estará em fase Crescente com 92,7% de iluminação (Fase = +0,927), comportando-se praticamente como uma Lua Cheia e aumentando significativamente o brilho de fundo do céu. Recomenda-se, portanto, o uso de técnicas de astrofotografia e empilhamento de imagens para registrar o objeto e distinguí-lo das estrelas de fundo.

Fonte: Imagem gerada por inteligência artificial (Google Gemini, 2026) a partir de descrição do autor.

Sob o aspecto físico, (35) Leukothea é classificado como um asteroide do tipo C (carbonáceo), caracterizado por uma superfície primitiva e escura, com albedo de 0,066. Estudos fotométricos indicam um período de rotação de aproximadamente 31,9 horas. O objeto foi descoberto em 19 de abril de 1855 pelo astrônomo alemão Robert Luther (1822–1900), a partir do Observatório de Düsseldorf-Bilk.

Como é tradição na nomenclatura astronômica, o legado do descobridor encontra-se eternizado na topografia lunar. A Cratera Luther, nomeada em homenagem a Robert Luther pela União Astronômica Internacional (IAU), é uma formação de impacto com 9,29 km de diâmetro. Localizada nas coordenadas selenográficas Latitude 33,2° N e Longitude 24,15° E, na região do Mare Serenitatis, esta formação serve como um lembrete perene das contribuições de Luther para a mecânica celeste e a descoberta de 24 planetas menores no século XIX.

Otimizando Observações Astronômicas

As oposições favoráveis, com elongações acima de 165 graus, proporcionam oportunidades únicas para observações precisas e a criação de Curvas de Luz confiáveis. Observações devem seguir critérios técnicos rigorosos, utilizando estrelas de magnitude visual conhecidas.

Em condições ideais, afastados da luz solar direta, asteroides revelam características intrínsecas como tamanho aparente, cor e tonalidade, especialmente com aberturas óticas maiores. A máxima elongação facilita a coleta eficaz de dados noturnos, beneficiando pesquisas astronômicas. Planejamento estratégico durante oposições favoráveis é crucial para explorar oportunidades e compreender a dinâmica do cinturão principal de asteroides.

Boas observações e céus limpos!

Notas:

1 = (ua) Conforme a Resolução da IAU 2012 B2, acolhendo proposta do grupo de trabalho “Numerical Standards for Fundamental Astronomy”, redefiniu-se a unidade astronômica de comprimento correspondendo à distância media da Terra ao Sol equivalendo assim a 149.597.870.700 metros, devendo ser representada unicamente por au (“astronomical unit”) (OAM, 2015).

2 = As coordenadas equatoriais ascensão reta e declinação (J2000.0) são apresentadas no formato HH:MM:SS (hora/grau, minuto e segundo).

3 = A fase lunar acima mencionada assume os seguintes valores: 0.000 = Nova; +0.500 = Quarto crescente; 1.000 = Cheia e -0.500 = Quarto minguante.

4 - Instrumentação recomendada e Limite de Portabilidade:

  • Pequena abertura: 70–120 mm
  • Média abertura: 120–180 mm
  • Maior abertura: 180–250 mm

Referências:

CAMPOS, Antônio Rosa. Almanaque Astronômico Brasileiro 2026. Belo Horizonte: CEAMIG, 2025. Disponível em: <https://is.gd/Alma2026>. Acesso em: 24 jan. 2026.

HOCKEY, Thomas et al. (Eds.). The Biographical Encyclopedia of Astronomers. New York: Springer, 2007.

INTERNATIONAL ASTRONOMICAL UNION (IAU). Gazetteer of Planetary Nomenclature. Disponível em: <https://planetarynames.wr.usgs.gov/>. Acesso em: 24 jan. 2026.

MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. 2. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1987.

NASA/JPL. Small-Body Database Lookup. Caltech/Jet Propulsion Laboratory. Disponível em: <https://ssd.jpl.nasa.gov/>. Acesso em: 24 jan. 2026.

GOOGLE GEMINI. [Ilustração de observador astronômico sob luar na constelação de Leão]. 2026. 1 imagem gerada por inteligência artificial.

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