A Chuva de Meteoros α-Centaurídeas (102 ACE) em 2026

 Antônio Rosa Campos

As α-Centaurídeas (102 ACE) estarão ativas entre 31 de janeiro e 20 de fevereiro de 2026, com máximo indicado para 8 de fevereiro. No Almanaque Astronômico Brasileiro 2026, os parâmetros do máximo são tabulados para 00h00m TU, o que corresponde a 21h00m na Hora Legal de Brasília (UTC−3) do dia anterior (07/02). Nesse instante, o Sol atinge λ⊙ = 319°.4. O radiante situa-se em RA = 211° e Dec = −58°, na região da constelação do Centauro.

A velocidade meteórica pré-atmosférica é V∞ = 58 km/s, o que classifica a chuva como de meteoros rápidos. Para fins de comparação didática, adotamos uma escala usada em materiais de observação e divulgação do Sky and Observers: 11 km/s (muito lenta), ~40 km/s (referência próxima à média das chuvas) e 72 km/s (muito rápida). O índice populacional é r = 2,0 e a THZ é variável, usualmente em torno de 6.


Figura 1 — Em uma chuva de meteoros, os riscos de luz parecem “sair” do mesmo ponto do céu (radiante). Ilustração — não é previsão. Fonte: (GOOGLE, 2026).

Um traço marcante das α-Centaurídeas é a possibilidade de “rajadas” — aumentos repentinos e temporários de atividade que podem durar poucas horas. O calendário da IMO registra aparições com esse comportamento em 1974 e 1980, quando a taxa aparente chegou a valores da ordem de 20–30, mas a média de muitos outros anos foi bem menor.[2] Em outras palavras: na maioria das noites a chuva é modesta, mas vale acompanhar com atenção perto do máximo, porque a atividade pode mudar rapidamente.

Em 2026, a Lua é o principal fator limitante no entorno do máximo. A IMO indica que as condições visuais tendem a ser melhores após o máximo assumido, a partir da Lua Minguante em 09/02.[2] Para quem observa do Brasil, isso significa que 09–12/02 podem render resultados mais consistentes do que a própria noite do máximo, quando o céu ainda tende a ficar mais claro.

Magnitude limite, poluição luminosa e Escala Bortle

Como r = 2,0 costuma favorecer uma proporção maior de meteoros mais fáceis de ver do que chuvas com r mais alto, ainda vale observar mesmo em condições não ideais.[1] Porém, quanto mais escuro o céu, melhor. A recomendação prática é priorizar locais com pouca poluição luminosa (Escala Bortle 1 a 4). Em céu urbano (Bortle 6 a 9), você pode ver alguns meteoros, mas a contagem tende a ficar menor, sobretudo quando há interferência da Lua.[3]

Condições de visibilidade no Brasil

Com declinação do radiante em −58°, a chuva favorece o Hemisfério Sul. No Brasil, isso é uma vantagem prática: o radiante costuma ficar bem colocado no céu, principalmente do fim da noite para a madrugada. Em termos simples, a chance de ver meteoros é boa na maior parte do país, especialmente em locais com céu escuro e horizonte amplo.

Condições de visibilidade nas Américas

Na América do Sul, em geral, a visibilidade é boa, com vantagem para latitudes mais ao sul. Na América Central e no Caribe, o radiante fica mais baixo e a taxa observada tende a cair. Em grande parte da América do Norte, a observação é limitada, porque o radiante pode ficar muito baixo ou fora do campo de visão; as melhores chances ficam em regiões mais ao sul.

Considerações práticas

Quando observar: além da data do máximo, observe também de 09 a 12/02, quando a Lua tende a atrapalhar menos.

Onde observar: escolha um lugar seguro, escuro e com céu aberto (sem luzes diretas no campo de visão).

Preparação: evite telas e luzes fortes e espere ~20 minutos para seus olhos se adaptarem.

Registro simples: anote hora de início/fim, céu limpo/nublado, presença da Lua e qual foi a estrela mais fraca que você conseguiu ver a olho nu.

Notas:

Radiante: região do céu de onde os meteoros parecem sair.

THZ: taxa horária zenital — um valor de referência para céu muito escuro e radiante bem alto; na vida real, costuma ser menor.

Magnitude limite: a estrela mais fraca que você consegue ver a olho nu; quanto maior esse valor, mais escuro está o céu.

Escala Bortle: escala prática que descreve o quanto o céu noturno é escuro (Bortle 1 = excelente; Bortle 9 = centro urbano muito iluminado).

Classificação didática de velocidades: faixa 11–72 km/s com ~40 km/s como referência média, adotada como critério pedagógico para contextualizar a V∞ informada.

“Rajadas”: aumentos repentinos e temporários de atividade, com duração de poucas horas.

Referências:

CAMPOS, Antônio Rosa (org.). Almanaque Astronômico Brasileiro 2026. Edição Clássica, ano 23. Belo Horizonte: CEAMIG, 2026. Documento em PDF. Acesso em: 13 jan. 2026.

INTERNATIONAL METEOR ORGANIZATION (IMO). IMO Meteor Shower Calendar 2026. Org. Jürgen Rendtel. Documento em PDF . Acesso em: 13 jan. 2026.

CAMPOS, Antônio Rosa; FARIA, Aléxia Lage de. Aula T06 — Magnitude limite e poluição luminosa: Escala Bortle. Material didático do curso Fundamentos de Astronomia para a Prática Observacional (GREC/CEAMIG). 2025. Documento em PDF. Acesso em: 13 jan. 2026.

GOOGLE. Observação da chuva de meteoros Alpha Centaurídeas com radiante em Centauro. [S.l.]: Google, 2026. 1 imagem digital, color. Gerada por inteligência artificial (modelo Gemini).

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