O asteroide (91) Aegina estará em oposição no dia 21 de janeiro de 2026, sendo observável nesta data na constelação de Câncer, nas coordenadas Ascensão Reta = 08h 12m 05.49s e Declinação = +23° 27′ 32.2″ (J2000.0). Nesta oportunidade, o objeto do cinturão principal médio atingirá magnitude visual 11.63 e elongação solar de 176,6° (CAMPOS, 2025), configurando uma oposição plena e extremamente favorável.
A Lua estará em fase +0,049, próxima à Lua Nova, o que oferece excelentes condições de observação, praticamente sem interferência luminosa. Assim, o asteroide poderá ser registrado sob céus escuros e transparentes, utilizando-se telescópios de média abertura (120–180 mm), especialmente em regiões afastadas dos grandes centros urbanos.
Trata-se de uma oportunidade excepcional para medições astrométricas e fotométricas de alta precisão, visto que o brilho e a elongação combinam-se de forma ideal.
Registro observacional (pré-oposição de 2024)
O comportamento fotométrico e astrométrico de (91) Aegina foi confirmado em 8 de setembro de 2024 por Geovandro Nobre, do Observatório Astronômico Rei do Universo (OARU), em Manaus-AM, quando o asteroide se encontrava em fase de aproximação à oposição. Na ocasião, o objeto apresentou magnitude 12.2 V, em AR = 22h 53m 54.20s e Dec = –08° 43′ 50.1″, com ângulo solar de 49°. O movimento aparente de 0.19″/min e o ângulo de posição 120.9° indicaram deslocamento retrógrado suave.
Figura. 1 (91) Aegina em 2024 – Crédito Geovandro Nobre – OARU, Manaus-AM, Brasil.O empilhamento de 4×30 s (Average) resultou em excelente relação sinal-ruído (ADU ≈ 16 mil), e o registro foi obtido com telescópio refletor 0,20 m f/5.0, FOV = 65.9′ × 44.9′, escala 1.91″/px, confirmando a consistência e qualidade das medições do OARU.
Novas datas que favorecem seu registro e observação
O asteroide (91) Aegina voltará a oferecer excelentes condições de observação nos próximos anos. Destacam-se as oposições de 27 de dezembro de 2029, quando atingirá magnitude 11.55 na constelação de Gêmeos, e a de 2 de dezembro de 2033, também com magnitude 11.55, situada em Touro.
Outra janela de observação particularmente favorável ocorrerá em 7 de novembro de 2037, quando (91) Aegina estará em Áries, alcançando magnitude 11.61 e elongação solar de 177,9°, condições ideais para medições cooperativas e comparativas entre observadores de diferentes regiões do Brasil. Essas três futuras oposições — 2029, 2033 e 2037 — formam uma sequência de grande interesse para o acompanhamento fotométrico e orbital de longo prazo desse pequeno mundo rochoso.
Descobridor e características orbitais
O asteroide (91) Aegina foi descoberto em 4 de novembro de 1866 pelo astrônomo francês Édouard Jean-Marie Stephan (1837–1923), no Observatório de Marselha.
Em sua homenagem, a cratera lunar Stephan — com 38 km de diâmetro e 1,8 km de profundidade, localizada em LAT: 43°36′00″ N, LONG: 19°54′00″ W — recebeu esse nome oficialmente pela União Astronômica Internacional (IAU) em 1935. Esse relevo foi registrado fotograficamente pelo Vaz Tolentino Observatório Lunar (VTOL) em 22 de fevereiro de 2011, e a imagem pode ser vista em: http://vaztolentino.com.br/imagens/7636-Cratera-LUTHER.
Trata-se de um asteroide do tipo Ch (condrito hidratado), pertencente ao cinturão principal médio, com albedo 0,048, magnitude absoluta H = 8,9, período rotacional ≈ 6,0 h e diâmetro estimado entre 104 e 110 km. Apresenta excentricidade 0,106, inclinação 2,1° e semieixo maior 2,59 UA, com período orbital de 4,17 anos. O índice de cor (B–V = 0,724) indica superfície escura e levemente avermelhada, rica em compostos carbonáceos.
O nome “Aegina” faz referência à ninfa mitológica grega Egina, filha do deus-rio Asopo e mãe de Éaco, símbolo de fertilidade e renovação — uma associação comum entre os asteroides nomeados no século XIX.
O acompanhamento periódico de (91) Aegina contribui para análises orbitais de longo prazo e estudos de variação de brilho superficial, especialmente em campanhas fotométricas cooperativas. Mesmo exigindo instrumentos de média abertura, suas oposições regulares oferecem importantes oportunidades para observadores dedicados a asteroides do cinturão principal.
Notas
1 – Unidade astronômica (ua): 149.597.870.700 m (Resolução IAU 2012 B2).
2 – Coordenadas equatoriais (J2000.0): expressas no formato HH:MM:SS / graus, minutos e segundos.
3 – Fase lunar: 0.000 = Nova; +0.500 = Quarto Crescente; 1.000 = Cheia; -0.500 = Minguante.
4 – Instrumentação recomendada e Limite de Portabilidade:
• Pequena abertura – 70–120 mm
• Média abertura – 120–180 mm
• Grande abertura – 180–250 mm
• Observadores metropolitanos e veranistas geralmente se enquadram nessas faixas, permitindo transporte e uso prático de instrumentos portáteis.
Boas observações e céus limpos!
Referências:
CAMPOS, Antônio Rosa (Org.). Almanaque Astronômico Brasileiro: edição clássica, ano 23, 2026. Belo Horizonte, MG: CEAMIG, 2025. Disponível em: <https://is.gd/Alma2026>. Acesso em: 02 dez. 2025.
NASA JPL Horizons — Ephemeris for (91) Aegina (2026–2045). Pasadena, CA: Jet Propulsion Laboratory, 2024.
MPC – Minor Planet Center. Database Search Results for (91) Aegina. Cambridge, MA: IAU, 2024.
Nobre, G. Registro do asteroide (91) Aegina – 08 set. 2024 (X33 – OARU). Comunicação pessoal ao autor, set. 2024.
SPRINGER-VERLAG. The Biographical Encyclopedia of Astronomers. 2. ed. Springer, 2007.
VTOL – Vaz Tolentino Observatório Lunar. Cratera Luther. 22 fev. 2011. Disponível em: http://vaztolentino.com.br/imagens/7636-Cratera-LUTHER.
USGS/IAU. Gazetteer of Planetary Nomenclature. United States Geological Survey / International Astronomical Union. Disponível em: https://planetarynames.wr.usgs.gov/.
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