terça-feira, 1 de maio de 2018

A oposição de Júpiter em 09 de maio 2018

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil – AWB

Certamente o gigantesco Júpiter vem chamando a atenção dos observadores neste ano, uma vez que o imponente e massivo planeta estará emoldurando o céu noturno com uma excepcional oposição em 09 de maio próximo quando então sua magnitude chegará a -2.5. Na tabela 1 abaixo e apresentado suas efemérides e bem como uma carta celeste ilustrativa (figura. 1)  da região celeste onde ele se encontra.


A região celeste a qual poderemos encontrar Júpiter e bem conhecida dos astrônomos. Certamente ele juntamente com as conhecidas estrelas conhecidas da constelação de Libra certamente participará no céu com belas conjunções.

Conhecido desde a antiguidade e também vislumbrando seus observadores em todo o mundo (de Galileu Galilei aos astrônomos contemporâneos), Júpiter (assim como Saturno quando visível no céu noturno), com a mais absoluta certeza, será o centro das atenções neste período em qualquer Star Party.

O Planeta

Nesta oportunidade Júpiter estará a uma distância da Terra de 4.4001664 u.a (660.024.960 milhões de Km), distância essa considerável, mas superada em sua fantástica oposição de 26 de setembro de 2022, quando então esse planeta estará à distância de 3.9525634 u.a (vide nota 1). Alcançando uma magnitude de -2.5 no presente momento, ele perderá em brilho somente para Vênus e a Lua, quando visíveis no céu.

Satélites galileanos

Além da sua dinâmica superfície, chama a atenção de qualquer observador a dança diária de seus principais satélites naturais Io, Europa, Ganimedes e Callisto (Nota 2); esse fantástico quarteto apresenta formações e eventos mútuos entre si, que também envolvem o disco do planeta. Assim essa dinâmica pode ser acompanhada utilizando-se uma luneta acima de 70 mm de abertura. Isso faz com que o registro preciso dos eventos (particularmente os eclipses, com horários precisos), seja útil para refinar as órbitas destes satélites, mas vai requer uma boa fonte de sinal horária e experiência do observador neste tipo de observação.


Assim sendo, pode-se definir tranquilamente para compor suas efemérides e acompanhamento gráfico num diagrama de saca-rolhas (quadro 1), as seguintes definições e nomenclaturas:

Satélites
1 ou I = Io;
2 ou II = Europa;
3 ou III = Ganimedes;
4 ou IV = Callisto;

Fenômenos
Ec = Eclipse do satélite pela sombra do disco do planeta;
Tr = Trânsito do satélite pelo disco do planeta;
Sh = Trânsito da sombra do satélite pelo disco do planeta;
Oc = Ocultação do satélite pelo disco do planeta;
I = Imersão;
E = Emersão;
D = Desaparecimento;
R = Reaparecimento.

Você pode utilizar as efemérides que se encontram publicada no Almanaque Astronômico Brasileiro de 2018 (figura 2 – ilustrativa), fazendo gratuitamente o download no seguinte link: https://goo.gl/kniuMW



Importância

Certamente, a edição dos eventos que envolvem a dinâmica de Júpiter e seus principais satélites, e uma constante nesta efeméride o que ocorre sempre nas futuras edições desta mesma publicação.

As oposições planetárias são uma fantástica oportunidade para todos os observadores buscarem detalhes observacionais, uma vez que poderão ser registradas mudanças interessantes no planeta. Desta forma esses registros serão bem significativos, constituindo então uma excelente oportunidade para que todos possam elaborar e manter um registro de dados destas observações.

Notas:
1 = (ua)* Conforme a Resolução da IAU 2012 B2, acolhendo proposta do grupo de trabalho “Numerical Standards for Fundamental Astronomy”, redefiniu-se a unidade astronômica de comprimento correspondendo à distância media da Terra ao Sol equivalendo assim a 149.597.870.700 metros, devendo ser representada unicamente por au (“astronomical unit”) OAM (2015).

2 = Em função da distância a Terra, os satélites galileanos apresentam as seguintes magnitudes: Io = 5.5; Europa = 6.1; Ganimedes = 5.1 e Callisto = 6.2.

Boas Observações!

Referências:

- MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio e Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1987,  914P.

- CAMPOS, Antônio Rosa. Almanaque Astronômico Brasileiro 2018. Belo Horizonte: Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), 2017. 136p. Disponível em: < https://goo.gl/kniuMW> Acesso em 02 Dez 2017.

- CHEVALLEY, Patrick. SkyChart / Cartes du Ciel - Version 3.8, March. 2013. Disponível em:   <http://ap-i.net/skychart/start?id=en/start>. - Acesso em: 26 Nov. 2015.

A ocultação de TYC 6846-00234-1 por (9) Metis em 22 de maio 2018

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil – AWB

Na madrugada de 22 de maio próximo, o asteroide (9) Metis, ocultará a estrela TYC 6846-00234-1 de magnitude 9.3 na constelação de Sagittarius, proporcionando uma rara oportunidade da realização do registro deste tipo de fenômeno aos observadores localizados em sua região de abrangência (Figura 1) apresentada abaixo (PRESTON, 2017).


Regiões de Abrangência 

Numa rápida análise da figura acima, podemos observar que o evento iniciar-se-á  já fase diurna do dia, mas terá uma excelente visibilidade na América do Sul, sendo que antecedendo a fase crepuscular matutina, atravessará a América do Sul junto à costa do Brasil, atravessando ainda as Guianas e o Suriname, o extremo sul da Venezuela (junto a fronteira com o Brasil); o sul da Colômbia e o norte do Peru e também a região centro-sul do Equador. 

A figura 2 (Google, 2017) indica que o início da projeção da sombra, como acima mencionado recairá sobre regiões do oceano Atlântico e Pacifico, Assim sendo, toda essa região torna-se muito favorável para as observações deste fenômeno.


Uma vez na superfície deste continente, ela recairá sobre as seguintes regiões: Brasil: (Amapá) Oiapoque; (Amazonas) São Gabriel da Cachoeira e (Roraima) Boa Vista; Colômbia: Barras, Puerto Santander, San Miguel, Taraira e Valderrama; Equador: Guayaquil e Puyo; Peru: Papayal, Tumbes e Zorritos; Guiana: Aishalton, Dadanawa, Lethem e Sandcreek; Suriname: Distrito Sipaliwini - (Alalapadi, Boven Coppename, Boven Saramacca, Boven Suriname, Coeroeni, Tapanahony, Distrito Brokopondo - (Brokopondo e Sarakreek) e Guiana Francesa: Apatou, Caiena, Grand-Santi, Matoury, Macouria, Kourou, Rémire-Montjoly e São Jorge do Oiapoque.

(9) Metis e TYC 6846-00234-1

No caso desta ocultação, a luz combinada do asteroide e da estrela cairá em 1.38 magnitude num período de tempo estimado em 22.4 segundos, sendo que a magnitude visual de (9) Metis é estimada em 10.3 nesta oportunidade. Ele estará em oposição em 16 de junho próximo (veja texto em: https://skyandobservers.blogspot.com/2018/05/o-asteroide-9-metis-em-2018.html), quando sua magnitude visual estará estimada em 9.7.

Astrônomos chineses afirmam ter realmente fotografado um satélite de Metis girando em torno do asteroide com um período de 4,61 dias. A magnitude do satélite foi relatada ser mais fraca do que duas grandezas de Metis, e a separação angular foi de 1,2 segundos de arco, o que corresponde a 1100 km. Resultados semelhantes foram obtidos durante a ocultação de uma estrela secundária por astrônomos de Barquisimeto na Venezuela em 11 de dezembro de 1979. No entanto, os astrônomos americanos observaram Metis durante 1982 e 1983, quando na oposição do asteroide – a linha da Terra era perpendicular ao plano de rotação do satélite. Usando o Telescópio de Espelhos Múltiplos (Multiple Mirror Telescope) não encontraram nenhuma evidência de um satélite, mesmo sob excelentes condições de observação (SKY & TELESCOPE, 1981).

Muito pouco se sabe sobre TYC 6846-00234-1 que embora se encontre na constelação de Sagittarius, mas poderá ser facilmente localizada uma vez que M8 (Nebulosa da Lagoa) está praticamente marcando sua localização, conforme carta de busca apresentado na figura 3.

Suas coordenadas equatoriais (ascensão reta e declinação astrométricas da Missão Gaia (http://www.cosmos.esa.int/gaia)  são: AR: 18 03 49.8908  Decl: -25 04 44.876 respectivamente. 

Segundo o observador brasileiro Antonio Padilla Filho (REA/Brasil), o registro das ocultações por observadores não-profissionais não tem muitos adeptos no nosso país. O campo é fértil para a produção de dados precisos se forem utilizados equipamentos adequados, que hoje estão ao alcance de qualquer pessoa que tenha interesse e o mínimo de recursos (PADILLA FILHO, 2016).

Sites recomendados:

"Como observar"
"formulário de reporte"
(ocultações de estrelas por asteroides).

No Facebook:

“Ocultações Astronômicas”.

Este grupo destina-se à divulgação e discussão de eventos astronômicos na área de 'Ocultações'. Ocultações de estrelas e planetas pela Lua, ocultações de estrelas por asteroides e as técnicas empregadas para o registro destes eventos.

Boas Observações!

Referências:

- MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio e Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1987,  914P.

- CAMPOS, Antônio Rosa. Almanaque Astronômico Brasileiro 2018. Belo Horizonte: Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), 2017. 136p. Disponível em: < https://goo.gl/kniuMW> Acesso em 02 Dez 2017.

- PADILLA FILHO, Antonio. Sky and Observers, A ocultação de TYC 5667-00417-1 por 236 Honoria. Disponível em: http://goo.gl/l7n3Z8, Acesso em 22 maio 2017. 

- HERALD, Dave. Occult4 v4.1.0.27 (24 March. 2014) Uptade v4.2.0 available in: <http://www.lunar-occultations.com/occult4/occultupdate.zip> Acess in 21 Abr. 2017.

- PRESTON, Steve. (Steve's Asteroid Occultation Index Page) Availabe in: < http://www.asteroidoccultation.com/2018_05/0522_9_55120_Summary.txt> - Acess in: 25 June 2017.

- FERNIQUE, Pierre. Centre de Données astronomiques de Strasbourg [CDS]: Aladin Sky Atlas - Acess in:  28 June 2017.

- Google Maps/Google Earth; Path <Occultation of TYC 6846-00234-1 by (9) Metis on 2018 May 22> Feature: <20180522_0642.kmz> Acess in: 25 Jun. 2017.


- Sky & Telescope, 1981. 62, 545

A ocultação de Zeta Geminorum - Mekbuda - em 18 de maio 2018

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil – AWB

Em 18 de maio próximo a Lua +16% iluminada e uma elongação solar de 47°, ocultará a estrela Zeta Geminorum (Mekbuda) de magnitude 3.7 e tipo espectral F7-G3Ib (Figura 1). Proporcionando um belo espetáculo aos observadores munidos com pequenos instrumentos óticos como: binóculos, lunetas e telescópios; esse evento poderá ser observado em grande parte dos continentes americanos.


Desta forma, os observadores localizados em Aruba, Barbados, Belize, Costa Rica, Cuba, Ilhas Cayman, Rep. Dominicana, El Salvador, Guadalupe, Guatemala, Honduras, Jamaica, Nicarágua, Panamá, Porto Rico, São Cristóvão e Nevis e  Trinidad e Tobago, poderão acompanhar os eventos de Desaparecimento e Reaparecimento desta estrela, conforme apresentado na tabela 1. 


Também os observadores localizados em partes do México e Estados Unidos, poderão acompanhar os eventos de Desaparecimento e Reaparecimento desta estrela, conforme apresentado na tabela 2.


Já os observadores localizados na região norte da América do Sul (Brasil, Colômbia, Equador, Suriname e Venezuela), poderão acompanhar também os eventos de Desaparecimento e Reaparecimento desta estrela, conforme apresentado na tabela 3.


Circunstâncias Gerais de visibilidade no Brasil

Não podemos deixar de mencionar ainda que além das localidades mencionadas na tabela 3, este evento também será visível em outras localidades do Brasil. Assim sendo, encontra-se disponível (figura 2 - Ilustrativa) para download no link: https://goo.gl/GqZbHr as condições de desaparecimento e reaparecimento para 88 municípios do Brasil localizados ao norte da região centro oeste e também no norte e nordeste brasileiro.


Além das circunstâncias de gerais de visibilidade e também de desaparecimento e reaparecimento acima mencionadas, abaixo apresentamos o mapa global (figura 3) com a faixa de visibilidade do fenômeno a qual abrange as respectivas regiões, ilhas e reservas naturais localizadas no oceano Atlântico e Pacífico.



Zeta Geminorum

A designação de Bayer para Zeta Geminorum e ainda 43 Gem para o número de Flamsteed (figura. 4) indica tratar-se de um sistema sextuplo (STELLE DOPPIER, 2018). São também designações para essa estrela: HR 2650, BD+20 1687, HD 52973, SAO 79031, FK5 269 (WDS, 2014) e ZC 1077 (HERALD, 2016). 


A componente “A” é uma possivelmente uma dupla, 4.5, 4.5v, sep. 0,1 ". B, 10,5v a 87". C, + 20d1686, 7,55 V, +0,62 (B-V), +0. +0,07 (U-B), G1V a 96 " tendo alto movimento próprio, 0,100", = <54k/s. Outros componentes mais fracos. Mesmo período. ADS 5742A, CDelta 3.62 - 4.18V, 10.15073d. Período em queda de 3,1 s/ano. (WDS, 2014)


Sites recomendados:

"Como observar"
"formulário de reporte"
(ocultações de estrelas por asteroides).

No Facebook:

“Ocultações Astronômicas”.

Este grupo destina-se à divulgação e discussão de eventos astronômicos na área de 'Ocultações'. Ocultações de estrelas e planetas pela Lua, ocultações de estrelas por asteroides e as técnicas empregadas para o registro destes eventos.

Boas Observações!

Referências:

- MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio e Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1987, 914P.

- CAMPOS, Antônio Rosa. Almanaque Astronômico Brasileiro 2018. Belo Horizonte: Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), 2017. 136p. Disponível em: < https://goo.gl/kniuMW> Acesso em 02 Dez.

- HERALD, Dave. Occult4 v4.1.0.27 (24 March. 2014) Uptade v4.2.0 available in: <http://www.lunar-occultations.com/occult4/occultupdate.zip> Acesso em: 28 Abr. 2016.

- WDS, Washington Double Star Catalog: Epoch 2014.01. <http://www.handprint.com/ASTRO/>. Acesso em: 10 set. 2014.

- Stelle Doppier - (Double Star Database). Available in: < http://stelledoppie.goaction.it/index2.php?iddoppia= 30433> Acesso em: 19 Jan. 2018.

A ocultação de TYC 7391-01452-1 por (29) Amphitrite em 04 de maio 2018

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil – AWB

Na madrugada de 04 de maio próximo, o asteroide (29) Amphitrite, ocultará a estrela TYC 7391-01452-1 de magnitude 12.0 na constelação de Sagittarius, proporcionando uma rara oportunidade da realização do registro deste tipo de fenômeno aos observadores localizados em sua região de abrangência (Figura 1) apresentada abaixo (PRESTON, 2017).

Regiões de Abrangência 

Numa rápida análise da figura acima, podemos observar que o evento ainda na fase noturna do dia, terá uma excelente visibilidade na América do Sul, sendo que seu início ocorre na região do oceano Pacífico sul próximo as Ilhas na Polinésia Francesa, atingindo a porção continental na região de Tarapacá e sul de Arica e Parinacota. Corta ainda a região central da Bolívia, quando então atravessa o território brasileiro passando pelos estados de Mato Grosso, Tocantins e Pará quando então, encontra a região do oceano Atlântico junto a região costeira do Piauí, Maranhão e Ceará.

A figura 2 (Google, 2017) ilustra toda a região acima mencionada, sendo assim toda essa área torna-se muito favorável para as observações deste fenômeno.


As localidades inicialmente plotadas e em condições de observação desse evento são: Chile: (Iquique); Bolívia: (Oruro, Cochabamba, Santa Cruz de la Sierra e Sucre) e Brasil: (Mato Grosso) Arenápolis, Cáceres, Diamantino, Mutum, Nobres, Pontes e Lacerda, Sinop e Sorriso; (Tocantins) Araguaína, Miracema do Tocantins e Palmas; Já nas regiões litorâneas brasileiras a ocultação poderá ser observada das seguintes regiões: (Ceará): Comocim, Croatá, Forquilha, Granja, Itarema, Morrinhos, Mucambo, Reriutaba, Sobral, São Benedito, Tianguá e Viçosa do Ceará; (Maranhão) Bacabal, Balsas, Barra do Corda, Buriti, Buriti Bravo, Cabeça, Carolina, Chapadinha, Codó, Colinas, Dom Pedro, Estreito, Presidente Dutra, Trizidela do Vale e Vargem Grande;  (Piauí) Barras, Campo Maior, Cajueiro da Praia, Parnaíba, Pedro II, Piripiri, Piçarra e Teresina.

(29) Amphitrite e TYC 7391-01452-1

No caso desta ocultação, a luz combinada do asteroide e da estrela cairá em 0.20 magnitude, num período de tempo estimado em 56.7 segundos; em sua próxima oposição que ocorrerá em 15 de junho próximo, (29) Amphitrite encontrar-se-á com uma magnitude visual estimada em 9.5 na constelação de Scorpius. 

Em 1981 Edward F. Tedesco e Robert E. Sather do Lunar and Planetary Laboratory da University of Arizona, publicaram dados fotométricos de UBV e análises das curvas de luz observadas entre março de 1956 e maio de 1977, com a finalidade de obtenção de fase de um coeficiente linear de 0,030 = / - 0.002. Segundo a publicação Amphitrite é um objeto interessante para estudos posteriores, pois é o melhor exemplo conhecido de um grande asteroide com uma superfície muito áspera e/ou variada.

Em 1985 esse asteroide foi previamente selecionado para um sobrevoo, aproveitando a oportunidade do lançamento da sonda Galileo, entretanto essa missão não se realizou (BEGGS, 2014).

Muito pouco se sabe sobre TYC 7391-01452-1 que embora se encontre na constelação de Sagittarius, poderá ser localizada se utilizarmos como referências, a estrela Alnasl de magnitude 2.99 uma e tipo espectral K0III bem como também os Aglomerados Glubulares NGC 6558 (Mv= 8.6) e NGC 6569 (Mv= 8.4) respectivamente próximos, conforme carta de busca apresentado na figura 3.

Suas coordenadas equatoriais (ascensão reta e declinação astrométricas da Missão Gaia (http://www.cosmos.esa.int/gaia)  são: AR: 18 04 46.4920  Decl: -31 47 36.751 respectivamente. 

Segundo o observador brasileiro Antonio Padilla Filho (REA/Brasil), o registro das ocultações por observadores não-profissionais não tem muitos adeptos no nosso país. O campo é fértil para a produção de dados precisos se forem utilizados equipamentos adequados, que hoje estão ao alcance de qualquer pessoa que tenha interesse e o mínimo de recursos (PADILLA FILHO, 2016).

Sites recomendados:

"Como observar"
"formulário de reporte"
(ocultações de estrelas por asteroides).

No Facebook:

“Ocultações Astronômicas”.

Este grupo destina-se à divulgação e discussão de eventos astronômicos na área de 'Ocultações'. Ocultações de estrelas e planetas pela Lua, ocultações de estrelas por asteroides e as técnicas empregadas para o registro destes eventos.

Boas Observações!

Referências:

- MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio e Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1987,  914P.

- CAMPOS, Antônio Rosa. Almanaque Astronômico Brasileiro 2018. Belo Horizonte: Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), 2017. 136p. Disponível em: < https://goo.gl/kniuMW> Acesso em 02 Dez 2017.

- PADILLA FILHO, Antonio. Sky and Observers, A ocultação de TYC 5667-00417-1 por 236 Honoria. Disponível em: http://goo.gl/l7n3Z8, Acesso em 22 maio 2017. 

- HERALD, Dave. Occult4 v4.1.0.27 (24 March. 2014) Uptade v4.2.0 available in: <http://www.lunar-occultations.com/occult4/occultupdate.zip> Acess in 21 Abr. 2017.

- PRESTON, Steve. (Steve's Asteroid Occultation Index Page) Availabe in: < http://www.asteroidoccultation.com/2018_05/0504_29_54938_Summary.txt> - Acess in: 25 June 2017.

- FERNIQUE, Pierre. Centre de Données astronomiques de Strasbourg [CDS]: Aladin Sky Atlas - Acess in:  28 June 2017. Availabe in: <http://www.cdsportal.u-strasburg.fr/?target=TYC%7391-01452-1> Acess in: 28 June 2017.

- BEGGS, James M. JPL/NASA, Press Release #1062. Disponível em: <http://www.jpl.nasa.gov/releases/80s/release_1985_1062.html> - Acesso em 04 mai. 2014.

- Google Maps/Google Earth; Path <Occultation of TYC 7391-01452-1 by (29) Amphitrite on 2018 May 04> Feature: <20180504_0705.kmz> Acess in: 25 Jun. 2017. 


O asteroide (29) Amphitrite em 2018

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil – AWB

Em 15 de junho próximo, o asteroide Amphitrite estará com seu posicionamento favorável às observações (fase da Lua = +0.021), quando então sua magnitude chegará a 9.5, portanto dentro dos limites de magnitudes observáveis de instrumentos óticos de médio e pequeno porte. A tabela abaixo apresenta suas efemérides e bem como uma carta celeste ilustrativa, objetivando sua localização nos próximos dias. 



Como demonstra seu número em ordem de nomeação indicado acima entre parênteses, 29 Amphitrite foi descoberto em 01 de março de 1854 pelo astrônomo alemão Albert Marth (1828 - 1897) no seu observatório de Bishop em Londres. Seu nome é uma alusão a deusa grega do mar, Anfitrite, esposa de Netuno e Mãe de Tritão. (MOURÃO, 1987).

Em 1981 Edward F. Tedesco e Robert E. Sather do Lunar and Planetary Laboratory da University of Arizona, publicaram dados fotométricos de UBV e análises das curvas de luz observadas entre março de 1956 e maio de 1977, com a finalidade de obtenção de fase de um coeficiente linear de 0,030 = / - 0.002. Segundo a publicação Amphitrite é um objeto interessante para estudos posteriores, pois é o melhor exemplo conhecido de um grande asteroide com uma superfície muito áspera e/ou variada.

Em 1985 esse asteroide foi previamente selecionado para um sobrevoo, aproveitando a oportunidade do lançamento da sonda Galileo, entretanto essa missão não se realizou (BEGGS, 2014).

Notas:
1 = (ua)* Conforme a Resolução da IAU 2012 B2, acolhendo proposta do grupo de trabalho “Numerical Standards for Fundamental Astronomy”, redefiniu-se a unidade astronômica de comprimento correspondendo à distância media da Terra ao Sol equivalendo assim a 149.597.870.700 metros, devendo ser representada unicamente por au (“astronomical unit”) OAM (2015).

2 = As coordenadas equatoriais ascensão reta e declinação (J2000.0) são apresentadas no formato HH:MM:SS (hora/grau, minuto e segundo).

3 = Conforme poderemos observar na carta de busca acima apresentada, este asteroide estará na época de sua oposição, atravessando uma região celeste com diversos objetos de céu profundo. Assim sendo é apresentado um levantamento com as respectivas magnitudes visuais destes objetos, visando facilitar sua localização.

Referências:

- MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio e Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1987,  914P.

- CAMPOS, Antônio Rosa. Almanaque Astronômico Brasileiro 2018. Belo Horizonte: Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), 2017. 136p. Disponível em: < https://goo.gl/kniuMW> Acesso em 02 Dez 2017.

- CHEVALLEY, Patrick. SkyChart / Cartes du Ciel - Version 3.8, March. 2013. Disponível em:   <http://ap-i.net/skychart/start?id=en/start>. - Acesso em: 26 Nov. 2015.



- SCHMADEL, Lutz D. Astronomical Notes. Disponível em: <http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/asna.2113070604/abstract> - Acesso em 04 mai. 2014. 

- BEGGS, James M. JPL/NASA, Press Release #1062. Disponível em: <http://www.jpl.nasa.gov/releases/80s/release_1985_1062.html> - Acesso em 04 mai. 2014.

O asteroide (9) Metis em 2018

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
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Em 16 de junho próximo, o asteroide Metis estará com seu posicionamento favorável às observações (fase da Lua = +0.070), quando então sua magnitude chegará a 9.7, portanto dentro dos limites de magnitudes observáveis de instrumentos óticos de médio e pequeno porte. A tabela abaixo apresenta suas efemérides e bem como uma carta celeste ilustrativa, objetivando sua localização nos próximos dias. 
  

Como demonstra seu número em ordem de nomeação indicado acima entre parênteses, 9 Metis foi descoberto em 26 de abril de 1848 pelo astrônomo irlandês Andrew Graham (1815 - 1848) no Observatório Markree. O seu nome é referência a Metis, primeira esposa de Zeus (Júpiter), uma feiticeira que lhe ofereceu uma poção mágica que Cronos, ao beber obrigou-a a devolver seus filhos. (MOURÃO, 1987).

Astrônomos chineses afirmam ter realmente fotografado um satélite de Metis girando em torno do asteroide com um período de 4,61 dias. A magnitude do satélite foi relatada ser mais fraca do que duas grandezas de Metis, e a separação angular foi de 1,2 segundos de arco, o que corresponde a 1100 km. Resultados semelhantes foram obtidos durante a ocultação de uma estrela secundária por astrônomos de Barquisimeto na Venezuela em 11 de dezembro de 1979. No entanto, os astrônomos americanos observaram Metis durante 1982 e 1983, quando na oposição do asteroide – a linha da Terra era perpendicular ao plano de rotação do satélite. Usando o Telescópio de Espelhos Múltiplos (Multiple Mirror Telescope) não encontraram nenhuma evidência de um satélite, mesmo sob excelentes condições de observação.

Notas:
1 = (ua)* Conforme a Resolução da IAU 2012 B2, acolhendo proposta do grupo de trabalho “Numerical Standards for Fundamental Astronomy”, redefiniu-se a unidade astronômica de comprimento correspondendo à distância media da Terra ao Sol equivalendo assim a 149.597.870.700 metros, devendo ser representada unicamente por au (“astronomical unit”) OAM (2015).

2 = As coordenadas equatoriais ascensão reta e declinação (J2000.0) são apresentadas no formato HH:MM:SS (hora/grau, minuto e segundo).

3 = Conforme poderemos observar na carta de busca acima apresentada, este asteroide estará na época de sua oposição, atravessando uma região celeste com diversos objetos de céu profundo. Assim sendo é apresentado um levantamento com as respectivas magnitudes visuais destes objetos, visando facilitar sua localização.

Referências:

- MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio e Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1987,  914P.

- CAMPOS, Antônio Rosa. Almanaque Astronômico Brasileiro 2018. Belo Horizonte: Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), 2017. 136p. Disponível em: < https://goo.gl/kniuMW> Acesso em 02 Dez 2017.

- CHEVALLEY, Patrick. SkyChart / Cartes du Ciel - Version 3.8, March. 2013. Disponível em:   <http://ap-i.net/skychart/start?id=en/start>. - Acesso em: 26 Nov. 2015.




- Sky & Telescope, 1981. 62, 545

O asteroide (4) Vesta em 2018

Antônio Rosa Campos
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CEAMIG – REA/Brasil – AWB

Em 20 de junho próximo, o asteroide Vesta estará com seu posicionamento favorável às observações (fase da Lua = +0.452), quando então sua magnitude chegará a 5.3, portanto dentro dos limites de magnitudes observáveis de instrumentos óticos de pequeno porte e também no limite da visão desarmada. A tabela abaixo apresenta suas efemérides e bem como uma carta celeste ilustrativa, objetivando sua localização nos próximos dias. 


Como demonstra seu número em ordem de nomeação indicado acima entre parênteses, 4 Vesta foi descoberto em 29 de março de 1807 pelo astrônomo alemão Wilhelm Olbers (1758 - 1840) no Observatório de Bremen. Seu nome é uma alusão a Vesta, filha de Cronos e de Réia. Deusa da casa, particularmente do lar doméstico. Em Roma suas sacerdotisas (as Vestais) constituíam o corpo sacerdotal mais importante e também objeto do mais alto apreço. (MOURÃO, 1987).



Utilizando técnicas de mapeamento geológico uma equipe de 14 pesquisadores concluíram um mapeamento da superfície de (4) Vesta (figura. 1) usando dados fornecidos pela sonda Dawn (lançada em 27 de setembro de 2007). "A campanha de mapeamento geológico de Vesta levou cerca de dois anos e meio e os resultados obtidos com os mapas permitiram reconhecer uma escala de tempo geológico de Vesta para compará-lo a outros planetas" (Ciencia@NASA, 2014).

Notas:
1 = (ua)* Conforme a Resolução da IAU 2012 B2, acolhendo proposta do grupo de trabalho “Numerical Standards for Fundamental Astronomy”, redefiniu-se a unidade astronômica de comprimento correspondendo à distância media da Terra ao Sol equivalendo assim a 149.597.870.700 metros, devendo ser representada unicamente por au (“astronomical unit”) OAM (2015).

2 = As coordenadas equatoriais ascensão reta e declinação (J2000.0) são apresentadas no formato HH:MM:SS (hora/grau, minuto e segundo).

3 = Conforme poderemos observar na carta de busca acima apresentada, este asteroide estará na época de sua oposição, atravessando uma região celeste com diversos objetos de céu profundo. Assim sendo é apresentado um levantamento com as respectivas magnitudes visuais destes objetos, visando facilitar sua localização.


Referências:

- MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio e Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1987,  914P.

- CAMPOS, Antônio Rosa. Almanaque Astronômico Brasileiro 2018. Belo Horizonte: Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), 2017. 136p. Disponível em: < https://goo.gl/kniuMW> Acesso em 02 Dez 2017.

- CHEVALLEY, Patrick. SkyChart / Cartes du Ciel - Version 3.8, March. 2013. Disponível em:   <http://ap-i.net/skychart/start?id=en/start>. - Acesso em: 26 Nov. 2015.



- Ciencia@NASA. Science@NASA - Portal en idioma inglés. 13 Dez. 2014. Disponível em: <http://ciencia.nasa.gov/ciencias-especiales/17nov_vestamap/> - Acesso em 13 dez. 2014.

O sábio que descobriu o Brasil

Nelson Alberto Soares Travnik
nelson-travnik-@hotmail.com
Observatório Astronômico de Piracicaba Elias Salum - SP

Em abril de 1500, numa enseada de águas cristalinas ao sul de Bahia, o sábio Mestre João improvisou um observatório astronômico e localizou o Brasil pela primeira vez.

No entardecer de 22 de abril, quarta-feira, Pedro Álvares Cabral e sua tripulação avistaram o contorno arredondado de um ‘grande monte’. Acreditando que estavam se dirigindo para a distante Índia, acabaram realizando uma descoberta fortuita ou intencional. Na hoje denominada Baia de Cabrália, a 12 quilômetros de Porto Seguro, em uma noite de Lua Nova daquela segunda-feira, 27 de abril, o astrônomo e médico da frota respeitosamente chamado de Mestre João, entrava para a história como primeiro a posicionar o Brasil. Ele tinha ficado até este dia na caravela em virtude de uma grande ferida, fruto de uma intermitente coceira. 


Mestre João era um fidalgo de origem espanhola encarregado da operação de posicionar a frota. Em solo, ele foi incumbido de, através do Sol e das estrelas, ver que terra era aquela, em que latitude se encontrava. O procedimento do cálculo da longitude ainda não estava definido àquela época. Isto viria acontecer em escala ultramarina somente a partir de 1762. Com um grande astrolábio de madeira que os lusos haviam aperfeiçoado desde o inicio do ciclo das grandes navegações e que era superior ao kamal de origem árabe, mediu a altura do Sol e calculou a latitude. Obteve a medida de aproximadamente 17 graus o que se mostrou bem precisa pois hoje sabemos que a Baia de Cabrália fica a exatos 16° 21’ 22”. Não somente o astrolábio mas outros instrumentos como a balestrilha e o kamal, todos de madeira, eram usados. Mestre João foi assim o primeiro a posicionar por meio de instrumentos onde estava o Brasil.

Cruzeiro do Sul

A maior contribuição de Mestre João a ciência astronômica, viria contudo à noite. Ao observar extasiado a beleza do céu austral, mais rico em estrelas que o céu boreal, observou uma constelação que já era conhecida desde a antiguidade e que servia para orientar navegantes depois de cruzar a linha do equador. Ao ver o desenho perfeito de uma cruz, Mestre João a batizou de Cruzeiro do Sul, constelação que está em nossa bandeira e serve até hoje aos escoteiros e curiosos para posicionar o polo sul celeste, aquele ponto no céu para onde está direcionado o eixo de rotação da Terra. 


O Cruzeiro do Sul com uma área de 68 graus quadrados, é a menor das constelações e uma das mais famosas do Hemisfério Sul. Os gregos a conheciam  como parte do Centauro. A primeira descrição como uma cruz é devida ao Mestre João pois o navegador Andreas Corsali somente a veria assim em 1516. Sua introdução  em uma carta celeste  com o nome latino ‘Crux’ somente foi feita em 1604 pelo astrônomo Jean Bayer em sua célebre obra Uranometria.

Canalistas X Anticanalistas, a grande polêmica dos canais em Marte

Nelson Alberto Soares Travnik
nelson-travnik-@hotmail.com
Observatório Astronômico de Piracicaba Elias Salum - SP


O que levou astrônomos de renome a ver uma rede de alinhamentos em Marte sugerindo obra de uma civilização? 
                    
Desde sua existência nesse planeta, o homem não quer viver só. Odeia a solidão. Com o tempo, ampliou essa solidão para muito além da Terra, para os astros do universo, algo que perdura até hoje.  Após a invenção da luneta pelo óptico alemão, naturalizado holandês, Hans Lippershey (1587-1619) e o seu emprego pela primeira vez no estudo do céu por Galileu Galilei (1564-1642) em 1609, passamos a construir instrumentos cada vez maiores no afã de conhecer melhor os outros planetas e descobrir neles algum vestígio de vida.


E o melhor candidato revelou-se ser Marte, o Planeta Vermelho. A escolha era óbvia: a duração do dia muito parecido com o nosso (24h 37m 23s), também a inclinação de 24° 46’ do equador em relação a órbita (Terra : 23° 27’) determinando estações do ano , duas alvas calotas polares e tem satélites como a Terra. Isso motivou o inicio de uma polêmica centenária que começou na verdade em 1860, aqui no Brasil, com o astrônomo Emmanuel Liais (1826-1900) contratado por D. Pedro II para dirigir o Imperial Observatório do Rio de Janeiro. Ele argumentava que as manchas escuras vistas em Marte eram resultado da presença de vegetação. Contudo foi na grande aproximação de 1877 com o astrônomo italiano Giovanni Virginio Schiaparelli (1835-1910), então diretor do Observatório de Brera ,que um fato novo surgiria. A aproximação de 1877 no dia 5 de setembro colocou Marte há “apenas” 56.550.000 km da Terra. Observando o planeta com uma luneta “Merz” de 22 cm, anunciou a descoberta de sulcos e acidentes retilíneos em sua superfície. Chamou as manchas escuras de “mares” e outras de “estreitos” e “canais”, este último indicando que poderia ser tanto uma configuração natural do terreno como uma construção artificial. O estopim estava aceso. Restava apenas outros astrônomos confirmarem os canais e encontrar os habitantes  de Marte!


Como as calotas polares desaparecem quase por completo no verão marciano, para muitos estava claro que, para um relevo árido e desértico, esses canais eram obra de uma civilização agonizante que os construíram para, a partir dos pólos, irrigar o planeta. O assunto começou a tomar tal dimensão, que o governo italiano presenteou Schiaparelli com uma grande luneta de 49 cm da firma alemã “Merz-Repsold”. Enquanto o italiano limitou-se a relatar “canali” como interpretação puramente hipotética, Camille Flammarion (1842-1925) conclui com entusiasmo: “Essa rede singular de linhas retas, de milhares de quilômetros de comprimento só pode ser uma obra de arte; prova a existência, em Marte, de criaturas racionais, de extraordinária capacidade produtiva e inteligência muito superior a nossa”. Inflamado pela opinião de Flammarion, Schiaparelli deixaria também se envolver por ela.  Flammarion dispunha em seu Observatório de Juvisy de uma excelente luneta com objetiva de 24 cm de diâmetro construída por Bardou. Juvisy não era somente um observatório mas um centro de cultura com vasta biblioteca e convergência de astrônomos e intelectuais da época. D. Pedro II astrônomo amador, era um desses intelectuais e foi convidado de Flammarion para inaugurar o Observatório de Juvisy em 1877. Era difícil não se deixar envolver pelo fascínio que tal hipótese exercia. E, de fato, ela foi rapidamente adotada pela opinião pública.

A partir daí, rios de tinta e toneladas de papel foram consumidos contagiando escritores e astrônomos. Muitos não concordavam com essa teoria argumentando serem os traços retilíneos um alinhamento ilusório tendendo a geometrizar-se pela distância. Estava inaugurado o ciclo de acirrados debates entre canalistas x anticanalistas.


A idéia alimentada por Flammarion apaixona um milionário diplomata californiano, Percival Lowell (1855-1916) que resolve abandonar a carreira para construir em uma zona semi-desértica do Arizona, a 2.300 m de altitude, o Observatório Flagstaff,  o seu “Castelo de Marte”, instalando uma luneta de 49 cm e mais tarde uma outra de 61 cm, fabricada por Alvan Clark (1832-1897). Ele dedicou sua fortuna e 15 anos de vida a esse projeto. Em 1895 em seu livro “Marte”, elabora um planisfério e atesta a presença  de 184 canais ! Em 1896 ele escreve: “Marte era verdejante; hoje é um deserto. Os marcianos lutam contra essa fatalidade”. Em 1906  em seu livro “Marte e seus Canais” indica que eles haviam sido construídos por seres inteligentes formando uma extensa rede de distribuição. No livro ele atesta a presença de mais canais em um planisfério realizado em 1905. Em seus livros “Mars as the Abode of Life” (1908) e “The Evolution of Worlds” (1909), ele confirma a existência de mais canais e para ele não há duvida: esses canais são retilíneos demais e só podem ser artificiais construídos pelos marcianos para lutar contra uma devastadora seca. Finalmente surgiam nossos irmãos do espaço!

Lowell para compensar condições atmosféricas desfavoráveis objetivando tranqüilidade na imagem, utilizava a prática de diafragmar o diâmetro da objetiva de 61 para 38 cm. Essa técnica é ainda comum na observação planetária e para tal existe uma escala do “seeing” que determina a qualidade da transparência atmosférica. A máxima aproximação (oposição periélica) de 1909 foi intensamente observada por Lowell e a última pois ele faleceu repentinamente em 1916 com apenas 61 anos, convencido de que Marte era habitado por seres mais evoluídos que nós e que haviam construído uma rede hídrica para aproveitar a pequena quantidade de água disponível. A obstinação de Lowell era explicável: no século XIX, os canais eram de importância crucial para o comércio internacional e o maior deles, o de Suez, constituía uma marca da inteligência humana. Se os humanos construíam essas obras monumentais, então não seria surpreendente que os marcianos fizessem o mesmo. Aqui mesmo no Brasil, guardada as devidas proporções, não estamos construindo um canal para levar água do rio São Francisco às regiões áridas do nordeste?  Apesar de ter errado sobre a existência de canais e vida inteligente em Marte, ele arriscou uma previsão em 1915 sobre a existência de um outro planeta além de Netuno, estudando matematicamente as perturbações deste e de Urano. A teoria de Lowell foi comprovada em 18/02/1930 por Clyde Tombaugh com a descoberta de Plutão. Foi o maior legado de Lowell a astronomia.


Todavia a opinião de Lowell sobre Marte não encontrou respaldo aquela época com as observações feitas pelos astrônomos Edward Barnard (1857-1923) utilizando a grande luneta com objetiva de 89 cm do Observatório Lick, (doação do milionário californiano James Lick) em 1888 e em 1892 com John E. Mellisch utilizando a luneta com objetiva  de 101,6 cm, a maior do mundo até hoje, do Observatório Yerkes, doada pelo milionário e homem de negócios de Chicago, C. T.  Yerkes. Ambas objetivas foram construídas pela firma norte americana Alvan Clark & Sons. Os dois  astrônomos em aproximações favoráveis não conseguiram ver o que Lowell havia desenhado.

Em 1893 entra em cena no Observatório de Meudon, França, uma grande luneta com objetiva de 83 cm construída pelos irmãos Paul e Prosper Henry. Ainda hoje a maior da Europa e a terceira do mundo, foi então utilizada pelo renomado astrônomo Eugène Michael Antoniadi (1870-1944). Apesar de amigo de Flammarion a quem chamava “caro mestre”, ele deduziu em 1920 que os canais vistos pelo amigo e por Lowell, eram completamente ilusórios e que “eles desagregam em inúmeros traços irregulares”. Convém notar que Antoniadi realizou os melhores mapas de Marte antes das sondas espaciais. Contudo, decifrar àquela época os enigmas marcianos era extremamente difícil, uma vez que mesmo vendo esse planeta mais próximo, não vemos melhor que a Lua a olho nu. Quem tentar enxergar alguma coisa na Lua a olho nu, compreenderá o problema de Marte.

Marte nas condições mais favoráveis e com os maiores telescópios,  os “canais” se decompunham  em granulações e traços irregulares, mostrando que os mesmos eram mero fenômeno de óptica. Foram pois os olhos os inventores da rede de canais. 

     
Apesar da relutância de alguns em aceitar as conclusões de Antoniadi, a entrada em cena de telescópios cada vez maiores como os de Monte Wilson e Monte Palomar nos EUA, mostrava difícil a existência dos canais. Mas faltava o golpe final e ele veio com as sondas americanas Mariner 4 em 1965 e com as  Mariner 6 e 7  em 1969. A primeira obteve 21 fotografias, a segunda 76 e a terceira 126. Pela primeira vez mostraram enormes cones de extintos vulcões, um sem número de crateras de impacto e uma paisagem desértica. Dos canais e dos marcianos nem sinal! Os anticanalistas venceram! Estava encerrado finalmente um dos mais acirrados e calorosos debates na história da ciência.

Anote: A próxima oposição periélica de Marte está marcada para o dia 27 de julho de 2018. Seu disco em segundos de arco será de 24.1” e ele estará distante da Terra 0.386 UA (Unidades Astronômicas) ou 57.900.000 km

Referências:

L’ Astronomie, revista da Sociedade Astronômica da França, dez. 1975
L’ Astronomia , revista Edizioni Media Press, maio 1984 e dezembro 1995
Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica, Ronaldo Rogério de Freitas Mourão,2ª edição, editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro, RJ.

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